O dia amanheceu silencioso.Não aquele silêncio pesado do medo, nem o silêncio tenso da espera. Era um silêncio diferente. Quase respeitoso. Como se a cidade inteira soubesse que algo estava se encerrando — e algo novo, finalmente, pudesse começar.Lívia acordou devagar.A luz entrava pela janela, tocando as paredes simples do quarto que agora chamava de lar. Não era grande. Não era luxuoso. Mas era real. E, pela primeira vez em muito tempo, era suficiente.Ela levou a mão ao ventre, já pesado, já presente em cada movimento.— Estamos chegando — sussurrou.O bebê respondeu com um movimento lento, firme, como se entendesse.Na cozinha, Daniel preparava café. Ainda parecia estranho vê-lo ali, de mangas arregaçadas, concentrado em algo tão comum. Durante meses, ele vivera cercado de telas, decisões e urgências. Agora, media o tempo pelo barulho da água fervendo.— Bom dia — disse ele, quando a viu.— Bom — respondeu Lívia, sentando-se.Houve um silêncio confortável entre eles. Não havia
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