Patrícia entendeu, naquela semana, que continuar era um ato mais complexo do que ficar.Ficar podia ser impulso.Continuar exigia escolha consciente.Os dias seguintes passaram com uma tranquilidade que, paradoxalmente, começou a inquietá-la. Não pelo silêncio de Enzo, que se mantinha presente em mensagens curtas e ligações noturnas, mas pela forma como a vida parecia querer testar o equilíbrio recém-conquistado.Miguel estava mais sensível. Chorava por longos minutos sem motivo aparente, exigia colo constante, despertava várias vezes durante a noite. Patrícia sentia o cansaço se acumular no corpo, pesado, insistente. Ainda assim, não se ressentia. Apenas sentia.E sentir demais, ela sabia, deixava tudo mais exposto.Naquela noite, depois de finalmente conseguir colocar Miguel para dormir, Patrícia sentou-se no chão do quarto, encostada à cama, sentindo os músculos reclamarem. O silêncio não era confortável dessa vez. Era carregado de pensamentos.Pegou o celular e ficou olhando para
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