A chuva em Nova York empurrava a sujeira para os bueiros. Jinx caminhou três quarteirões sem olhar para trás, os pés descalços já dormentes no asfalto gelado. Ela tinha deixado os sapatos de grife na garagem, junto com sua dignidade e o homem que, por um breve momento, a fez esquecer que era uma criminosa.Ela abraçou o próprio corpo, tremendo violentamente. O vestido de seda estava encharcado e colando na pele. Cada gota parecia um insulto. Suma da minha frente. A voz de Aeron ainda ricocheteava em seu crânio, mais alta que o trovão.Ele acreditou na evidência plantada. Claro que acreditou. Ele era lógico, binário. E ela era a variável do caos.Um farol alto cortou a escuridão, cegando-a momentaneamente. Jinx não correu. Se fosse a polícia, que a levassem. Uma cela seria quente e seca. Se fosse Aeron vindo terminar o serviço... bem, talvez ela merecesse.Um Honda Civic cinza, com o para-choque preso por fita adesiva, cantou pneu e parou ao lado dela, jogando água da sarjeta em suas pe
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