Quanto mais a observava, mais difícil se tornava desviar o olhar. Queria ir embora, de verdade queria, mas estava preso naquele momento. Seus pés, como ancorados ao chão, recusavam-se a se mover. Por causa daquele beijo?Anna estava com os fones de ouvido, concentrada no trabalho; movia-se atrás da escrivaninha e até parecia cantarolar. Ele não conseguia tirar os olhos de seus lábios, movendo-se suavemente no ritmo de uma música inaudível. Balançou a cabeça várias vezes; não adiantava, o olhar sempre voltava para ela.E então sua mente e seu coração acabaram entrando em curto-circuito. Olhou para o convite jogado no lixo, depois para Anna. De repente, tudo voltou: o fracasso, a frustração, a indiferença de Elena quando recebia carinho e o êxtase quando recebia presentes; o rosto ansioso e quase erótico daquela outra, alheia a tudo ao redor, trabalhando, e o som suave com que lhe havia respondido.Lembrava-se do calor da mão dela em seu pescoço, das pernas de sua última secretária se f
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