Damian CavallariSaí da casa como quem deixa para trás um incêndio que ainda arde por dentro.A porta se fechou às minhas costas com um som limpo demais para o caos que continuava reverberando no meu peito. Atravessei o hall, a escada, a porta principal, tudo em linha reta, sem olhar para os lados, sem permitir que ninguém me interpretasse. Eu não estava fugindo de ninguém ali dentro, estava fugindo de mim.O ar frio da noite bateu no meu rosto quando alcancei a rua. Abri a porta do carro com mais força do que deveria e entrei. O banco de couro recebeu meu peso, mas não aliviou a tensão que se acumulava nos ombros, na mandíbula, nas mãos.Fechei a porta, girei a chave. O motor respondeu de imediato, grave, obediente e arranquei.As luzes da cidade passaram em borrões contínuos pelo para-brisa. Faróis, placas, fachadas, semáforos. Tudo estava ali, mas nada existia de verdade. O único quadro nítido na minha mente era outro.A parede, o corpo dela contra a parede, o instante em que meus
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