O som do motor do carro de John sumindo ao longe foi o veredito final daquela tarde. Ele não olhou para trás. Nem quis saber das explicações. A imagem de Josefina trancada naquele vestiário com David havia incinerado qualquer resquício de paciência ou lógica que ainda restava nele. Ele retornou à mansão como um animal ferido buscando sua toca, com os dedos apertando o volante até os nós das articulações ficarem brancos. Enquanto isso, o silêncio que se seguiu à partida dele era sufocante para Josefina. Ela sentia o rosto arder, não pelo sol, mas pela humilhação. David havia sumido entre as atrações com seu sorriso cínico, e ela ficou ali, parada no meio do corredor, sentindo-se a pior das mulheres. — Tá tudo bem, Nanny. Eu tô aqui. A voz de Clara foi um bálsamo de doçura, mas quando Josefina olhou para ela encontrou um sorriso contido, algo que não se encaixava. Então, a babá se ajoelhou, ficando a altura dela tentando entender o que aquilo significava.
Ler mais