O telefone tocou e, antes mesmo de atender, soube que algo estava muito errado, como quando um alarme soa em um pesadelo. —A voz do motorista chegou até mim trêmula e atropelada, como se ele estivesse lutando para articular as palavras, uma batalha em que as sílabas eram suas armas. Clary havia sido ferida: um tiro na saída de uma drogaria, e, como um barco à deriva, ela estava a caminho do hospital. —Não consegui me lembrar de ter desligado; só recordo de estar de pé e, num piscar de olhos, sentado diante de Lucy, observando seu rosto esmaecer enquanto ela repetia a notícia devastadora, cada palavra como um soco no estômago.— Não… — ela exclamou, cobrindo a boca com a mão, como se essa ação pudesse afastar a dura realidade. — Não, meu Deus!Lucy tentou manter a compostura, mas suas pernas cederam e eu a segurei, evitando que caísse, como se tivesse a responsabilidade de ser sua âncora naquele mar de desespero. Aquele momento exigia mais d
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