Existe um ponto em que observar deixa de ser essencial.Não porque a percepção perdeu valor.Mas porque ela deixou de ser a única forma de existência.—Antes, Helena acreditava — mesmo sem perceber — que algo só realmente acontecia quando era visto.Que a consciência dava validade.Que perceber era, de alguma forma, sustentar.—Agora… não mais.—Na cidade, algo aconteceu.Não pequeno.Não irrelevante.—Uma sequência inteira de decisões tomou um caminho diferente do que tomaria antes.Sem intervenção.Sem pausa induzida.Sem alguém “acordando” o processo.—E Helena não viu.—Ela estava ali.Presente.Mas não olhando naquele ponto.—Quando voltou, já tinha passado.—Antes, isso teria sido inaceitável.Agora… não foi.—Porque o resultado não carregava ausência.Carregava movimento.—Algo tinha mudado.Não da forma mais consciente possível.Não da forma mais “correta”.—Mas suficiente.—Ela percebeu algo que antes não cabia dentro dela:o mundo não precisa ser observado para e
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