O silêncio não veio de uma vez.Ele foi se instalando aos poucos, como se o ambiente estivesse reduzindo o volume por conta própria.Nos dias anteriores, tudo ainda era movimento. Mensagens constantes, reuniões seguidas, decisões sendo tomadas rápido demais para serem analisadas com profundidade. Havia pressão suficiente para esconder o que estava acontecendo por baixo.Agora não.Agora o ritmo diminuía.E, com ele, vinha a clareza.Elara percebeu isso antes mesmo de chegar ao prédio. O celular estava quieto. Nenhuma convocação fora do horário. Nenhuma tentativa de antecipar decisões.Aquilo não era calma.Era reposicionamento.Quando entrou, ninguém a evitou diretamente.Mas ninguém se aproximou também.Os cumprimentos foram corretos, curtos, sem extensão.Ela seguiu até a própria sala com a sensação clara de que ainda fazia parte da estrutura — mas não ocupava mais o mesmo lugar dentro dela.Sobre a mesa, havia um único documento.Impresso.Sem identificação direta.Ela reconheceu o
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