A manhã chega quente sobre a hacienda Villalba, com um céu claro que deixa as paredes brancas da casa principal quase ofuscantes sob o sol. O ar tem cheiro de terra seca e folhas de laranjeira esmagadas pelo vento leve que atravessa o pátio central, e Sofia atravessa aquele espaço com passos firmes, sentindo os olhos de várias pessoas acompanharem o caminho que faz até a varanda. Empregados caminham mais devagar quando passam perto dela, alguns acenam com a cabeça em cumprimento discreto, outros observam com uma curiosidade respeitosa que não existia dias atrás. A mudança aparece em pequenos gestos, em olhares que se prolongam um segundo além do habitual, em conversas que cessam quando ela se aproxima, e Sofia percebe cada detalhe com uma atenção afiada, como alguém que passou tempo demais sendo tratada como intrusa para ignorar o peso dessas diferenças.Ela sobe os três degraus da varanda principal e atravessa a porta aberta da casa grande. O interior está fresco, protegido do calor
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