Ficamos ali, Bruna e eu, presos contra a parede. O som da nossa respiração ofegante era a única coisa no corredor silencioso. Lá fora, as vozes continuavam, os talheres batiam nos pratos, mas ali dentro, no corredor estreito, o mundo parecia suspenso. — Me larga, Patrick… — ela murmurou, a voz abafada pela minha mão, mas a ferocidade nos seus olhos não tinha diminuído um só grau. — Se eu te soltar, você vai sair correndo atrás dela — sussurrei, minha boca perto do seu ouvido. — Vai fazer um escândalo. Vai estragar tudo. Ela respirou fundo, as narinas dilatadas. Eu sentia as curvas do seu corpo contra o meu, cada músculo tensionado. — Então fala! — exigiu ela, no instante em que eu, cautelosamente, tirei a mão da sua boca. — Fala o que tá acontecendo! — Não tá acontecendo nada — disse, a mentira saindo automaticamente, fraca e desgastada. — Mentira. — O olhar dela era uma faca. — Eu vi o pé dela entre as suas pernas. No jardim. — Coelhinha… — comecei, num tom suplicante, mas el
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