O cigarro pairava entre os dedos com unhas longas pintadas de vermelho vibrante, a fumaça dançava no ar do cômodo fechado, impregnando o cheiro do tabaco em todos os tecidos. Dessa vez não havia telefone nas mãos, não mentia para ninguém, apenas observava a paisagem.Pela porta de vidro, a suíte se abria para uma varanda ampla, com piso de pedra clara e uma guarda de vidro impecavelmente limpa. Do alto, via-se o condomínio recortado por jardins simétricos, palmeiras jovens recém-plantadas e piscinas que refletiam o céu azul como espelhos calculados. Ao fundo, as casas ostentosas se alinhavam como promessas de silêncio, segurança e dinheiro bem aplicado. — Pelo amor de Deus, pare de fumar em cômodo fechado! — Murilo resmungou, deslizando a port
Ler mais