ANGELINE HARRINGTON Confesso, mesmo com todas as revelações de Nikolai com respeito ao meu pai, ainda consegui dormir, mas o sono foge da gente quando nossa mente está cheia, por isso quando despertei ainda de madrugada, as revelações sobre meu pai, sobre minha família, nesse pacto imundo – ecoavam dentro da minha cabeça como sinos fúnebres. Os três sempre agiram como um só organismo: ganancioso, calculista e cruel. Eu era a célula defeituosa, deixada de lado, até que descobriram que podiam me usar como moeda. Agora, como esposa de Nikolai, eu era uma peça no tabuleiro deles. E eu sabia, com uma clareza que doía, o quanto o homem por quem me apaixonei era monstruoso quando traído. A vingança dele não seria um corte limpo; seria uma dissecação lenta e dolorosa. E, por mais que a dor da rejeição familiar queimasse em mim, um pedaço infantil e teimoso do meu coração não queria vê-los mortos. Pedir que ele os destruísse sem matar era contraditório, uma mistura de ódio e uma clemência qu
Ler mais