POV LIANNA Eu descobri que a liberdade também faz barulho. Não dentro de mim... ali, pela primeira vez, havia um silêncio bom, quase macio. O barulho vinha de fora. Do tipo que não pede licença, não respeita luto, não entende que algumas vitórias são só a chance de respirar sem dor. Na manhã seguinte ao divórcio, acordei com a casa cheirando a café e infância. Selina cantava alguma coisa inventada no corredor. Selin falava com a babá como se fosse um mini diretor de operações. Adrian estava na cozinha. De camisa social, mangas dobradas, o celular no modo silencioso sobre a bancada e isso, vindo dele, era quase uma declaração de amor. Eu entrei descalça, cabelo preso de qualquer jeito, e ele me olhou do jeito que sempre olhava quando eu estava prestes a desabar ou renascer: como se eu fosse algo raro. — Dormiu? — ele perguntou, baixo. — Dormi — respondi. — De verdade. Ele assentiu, aproximou e beijou minha testa. Um beijo simples. Nada dramático. Nada apressado. Só um “
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