Seis meses.Havia algo quase irônico no número: tempo suficiente para que os julgamentos perdessem o brilho do escândalo, para que os sussurros ficassem roucos de repetição, para que a curiosidade dos corredores se transformasse em hábito — e o hábito, em indiferença prática. Seis meses desde que Elara Sterling e Damian Blackwell decidiram parar de se mover como se estivessem fugindo de alguma coisa.Não porque o mundo havia ficado mais gentil.Mas porque eles haviam ficado mais inteiros.A Blackwell Industries seguiu em frente com a exatidão de sempre, como um organismo que aprende a cicatrizar sem parar de funcionar. O Eclipse Verde deixou de ser “o projeto que quase virou crise” e tornou-se um modelo de reputação concreta. Novos projetos nasceram, antigas frentes foram redesenhadas, contratos se ajustaram, e o mercado começou a falar da empresa não com curiosidade, mas com respeito.Elara também mudou — não de essência, mas de lugar. Ela parou de ocupar espaço como quem pede permis
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