Capítulo 222 Hugo Lindström Eu vi o tecido antes de entender. Um pedaço pequeno, rasgado. Caído no chão de concreto sujo, no meio do corredor. Branco, com renda na borda e sujo de sangue. Meu sangue virou gelo — e depois fogo. Reconheci na mesma fração de segundo. Era dela. Era da Manu. Mil imagens invadiram minha cabeça ao mesmo tempo. Rápidas, brutais. Incontroláveis. Ela presa numa cadeira, as mãos amarradas acima da cabeça, os pulsos marcados de sangue. Ela caída no chão frio, o cabelo espalhado, o olhar perdido. Cercada por aqueles malditos, rindo enquanto tocavam o que não era deles.Ela lutando. Sempre lutando. Sozinha. Vi a blusa sendo rasgada, as mãos sujas tentando segurá-la. Vi o corpo dela forçado contra o concreto. Vi o medo — e aquilo me matou por dentro.Meu coração começou a bater tão forte que o som parecia ecoar no corredor. Cada batida trazia uma nova possibilidade pior que a anterior. Cada cenário era mais violento, mais cruel, ma
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