Lorenzo Narrando... As horas passaram rápido, e a noite chegou, meu pai já tinha ido embora, a cobertura foi ficando mais silenciosa. As luzes estavam mais baixas. E eu me vi parado, encostado no batente da porta do quarto, apenas observando.Helena estava com Antony nos braços, andando pelo quarto com aquele balanço automático de mãe. Ela falava com ele em tom baixo, suave, como se o mundo inteiro pudesse se quebrar se ela levantasse demais a voz. Antony respondia do jeito dele: balbucios confusos, sons sem forma, mas cheios de intenção. Os olhinhos atentos nela, seguindo cada movimento, cada expressão.E aquilo… aquilo me acertou em cheio.Eu já tinha visto Helena de várias formas, forte, com medo, com raiva, exausta, ferida. Mas ali, naquela versão dela — simples, concentrada, inteira no cuidado com nosso filho — havia algo que me desmontava sem pedir licença. Ela não fazia esforço para ser uma boa mãe. Ela simplesmente era.— Calma, meu amor… — dizia, ajeitando Antony no braço. —
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