PAOLO MORELOSBip… bip… bip…Esse som.Não era o céu.Nem o inferno.Era o maldito hospital.Minha garganta ardia. Tudo doía.Mas a primeira coisa que consegui pronunciar, em um sussurro quase inaudível, foi:—Mily…E então, como se o nome dela abrisse um portal, eu a senti.—¡Paolo! —ouvi ela gritar antes de vê-la.Levantou da cadeira como se algo a tivesse impulsionado. Correu até mim, seus olhos cheios de lágrimas, suas mãos tremendo enquanto apertavam as minhas com força.—Amor… amor, você está vivo… achei que te perdia.O choro dela era amargo, dilacerante, como se todo o mundo dela estivesse prestes a se quebrar.—Shh… —sussurrei com a voz quebrada, tentando acalmá-la—. Estou aqui… com você…—Levaram um tiro em você por minha culpa —chorou ela, beijando minha mão, meu rosto, minha testa—. Paolo, eu…—Faria de novo, Mily —disse, fazendo esforço para mover os dedos e acariciar sua bochecha—. Um milhão de vezes.Ela soltou um soluço que partiu a alma. Se inclinou e me abraçou com c
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