A Perda Necessária.A madrugada chegou sem cerimônia, pesada, como se tivesse sido empurrada à força para dentro da casa.Ana estava sentada à mesa da cozinha, os braços cruzados sobre o tampo frio, olhando para um ponto indefinido na parede. Desde o ataque na escola, algo dentro dela havia mudado de lugar. Não era coragem, isso ela já conhecia. Era outra coisa. Uma consciência mais dura, mais lúcida, de que nenhuma verdade atravessa intacta um campo minado.Rafael circulava pela casa em silêncio, checando portas, janelas, trancas. Não porque acreditasse que aquilo impediria algo, mas porque precisava manter o corpo em movimento para não se afogar nos próprios pensamentos.— Você não disse nada desde que voltamos, ele comentou, tentando soar casual.Ana respirou fundo antes de responder.— Estou tentando entender o tamanho do que vem agora.Ele parou atrás dela, apoiando as mãos na cadeira.— Você está com medo?Ela pensou por alguns segundos.— Não por mim.Isso bastou.O dia se
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