Deise tomava seu banho matinal e enquanto penteava o cabelo ficou assustada com a quantidade de fios que acumularam no pente. Esboçou tamanha tristeza e preocupação que suas lágrimas se somaram à água que corria por seu corpo. Por mais que tentasse cuidar de seu cabelo, parecia que sempre estava fazendo algo de errado.Sua mãe, Maria, é uma mulher branca que nunca soube como lidar com o cabelo crespo da filha. O pai de Deise, Erick, era um mulato, assim como a menina, e faleceu antes mesmo que ela nascesse. Erick vivia com uma tia já idosa com a qual Deise nunca teve contato. E os demais parentes do rapaz não moravam na capital, nem sequer sabiam de sua existência. Sendo assim, Deise cresceu sem referências de outros parentes negros que lhe pudessem ajudar. O máximo que Maria conseguiu fazer pela filha eram tranças, mas a mulher já estava ficando cansada do longo ritual que era cuidar da filha já adolescente. Deise cresceu frustrada por não ter a companhia do pai e principalmente por
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