O salão nobre, com suas colunas de pedra negra e tapeçarias que narravam séculos de glória da linhagem Jones, nunca pareceu tão frio. O cheiro de carvalho e cera de abelha, que antes me trazia uma sensação de ordem e tradição, agora parecia sufocante. No centro do estrado, sentado não no trono principal, mas na cadeira de carvalho logo ao lado, estava meu tio Gael. Suas mãos, sempre adornadas com anéis de sinete pesados, repousavam calmamente sobre os joelhos.— Tio... — Minha voz falhou, um som quebrado que ecoou no vazio do salão. — Eros... ele e Mirella... ele disse que ela está grávida. Ele quer me descartar como se eu fosse nada.Eu esperava que ele se levantasse em fúria. Esperava que ele convocasse os guardas, que rugisse como o Alfa substituto que deveria proteger a honra da sobrinha. Mas Gael não se moveu. Ele apenas inclinou a cabeça levemente, um gesto quase contemplativo.— A natureza é implacável com o que não floresce, Lyara — ele disse, sua voz mantendo aquele tom avelud
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