BERNARDO: Enquanto eu dirigia em direção à casa de Ísis, minha mente não parava de rodar. Quando ela perguntou o que eu queria ter dito naquela noite no restaurante, eu soube exatamente o que era. Aquela conversa... o noivado. Eu deveria ter falado, mas o medo me segurou. O acordo entre as nossas famílias, aquele casamento sem amor, sem expectativas. Pra minha avó e a mãe de Amara, isso parecia perfeito. Elas viam como a maneira de manter tudo no lugar, de garantir o futuro das empresas e manter a herança intacta. Por mim, seria só um papel assinado. Um casamento vazio, sem envolvimento real. Mas desde que conheci Ísis, nada mais fazia sentido. Eu não conseguia mais imaginar seguir em frente com isso. Como poderia, depois de ter sentido o que senti com ela? A leveza, o riso, o calor que ela trazia pra minha vida. Algo que eu jamais pensei que poderia querer, de verdade. E naquela noite, no restaurante, eu quase destruí tudo isso, quase a afastei com a verdade. Mas o medo foi maio
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