POV: AndréDepois daquela discussão, nós não trocamos mais nenhuma palavra até Ponte Negra. Quando a Angel finalmente parou o carro no beco escuro atrás da casa paroquial, eu desci tentando ajeitar o boné na cabeça e torcendo para que a cobrisse o meu rastro.Contornei a lateral da igreja a passos rápidos, querendo apenas subir para os meus aposentos, tomar um banho e tentar colocar a minha cabeça no lugar. Mas, assim que virei a esquina em direção à entrada principal da casa paroquial, meu coração parou na boca.A luz da sala de estar estava acesa. E, parado na varanda, conversando em sussurros com três beatas da paróquia, entre elas a dona Alzira, a maior fofoqueira da região, estava uma figura que me fez gelar dos pés à cabeça.Dom João Pedro. A autoridade máxima da nossa diocese, o homem responsável por fiscalizar cada paróquia e a conduta de cada padre.Virei o rosto para o lado, tentando recuar, mas a voz firme do Bispo cortou a noite:— Padre André? Porra. Não tinha mais como
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