A luz de fim de tarde cobria os olivais da propriedade na Puglia. Na varanda térrea, a mesa estava posta com pratos fundos, pão fresco e taças de vinho. Paolo mantinha a postura ereta na cabeceira, vestindo apenas uma camisa de linho dobrada até os cotovelos e calça escura. A barba bem aparada carregava alguns fios grisalhos no queixo, mas o olhar firme permanecia o mesmo. Com a mão esquerda, ele segurava a taça de vinho; com a direita, firmava as costas pequenas de Aria, que já ficava de pé sozinha. Sempre que olhava para a filha, a mente de Luísa traduzia os risos da bebê em pequenos sopros de luz azul-clara, uma nota contínua de flauta que trazia uma pausa rara para o peso do sobrenome Morano. — Ela vai derrubar esse copo, Paolo — avisou Luísa, ajustando a travessa de massa no centro da mesa. — Ninguém derruba nada nesta mesa — respondeu ele, enquanto erguia Aria sem esforço, acomodando-a nos braços com uma facilidade natural. Do outro lado da mesa, Enzo se concentrava em p
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