O cenário se transformou em um quarto que Selene reconheceu vagamente de seus próprios sonhos febris — o mesmo quarto de cortinas de veludo bordô, a mesma penteadeira com espelho de moldura dourada. Mas, desta vez, a imagem carregava um peso diferente, mais visceral, mais real.Natalie estava deitada na cama, o rosto pálido, coberto de suor, o corpo visivelmente mais magro do que deveria ser saudável. Uma criada entrava no quarto, carregando uma bandeja com um chá fumegante.— Sua tia... quer dizer, Valentina preparou isso especialmente para a senhora — a criada disse, colocando a bandeja sobre a mesinha de cabeceira. — Disse que ajudaria com as dores.Natalie observou o chá com desconfiança, mas a dor era intensa demais para recusar qualquer alívio possível. Bebeu, e Selene, observando a cena como espectadora dentro da própria mente, sentiu um arrepio de horror ao perceber, com clareza retrospectiva, que aquele chá provavelmente não continha nada além de veneno cuidadosamente dosado.
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