O corredor da ala VIP do hospital cheirava a antisséptico e flores caras que já começavam a murchar. Clara caminhava ao lado de Antônio, sentindo-se pequena dentro de um vestido azul-marinho que Rosana a obrigara a usar. O tecido era fino e elegante, mas para ela, parecia uma armadura pesada. Em sua bolsa de mão, escondida entre um lenço e um rosário, estava a pequena chave de prata que encontrara na pasta — seu amuleto de coragem. Antônio parou diante da porta da suíte particular. Ele parecia nervoso, ajustando a gravata a cada dez segundos. — Escute bem, Clara — ele sibilou, segurando o braço dela com força. — Não mencione nada sobre a pasta, nem sobre a sua mãe. Você está aqui para ser a noiva perfeita, a salvadora. Se você abrir a boca para reclamar ou para afastar o Sr. Lins, eu juro que... — Eu já entendi, pai — Clara o interrompeu, sua voz calma e desprovida de medo. Ela olhou para a mão dele em seu braço até que ele a soltasse, desconfortável. — Você já me vendeu. Agora, dei
Ler mais