VeraRecomeçoEu já estava cansada de roer as unhas, a dor latejante nas pontas dos dedos começava a me irritar, mas não era suficiente para me distrair da realidade esmagadora.Sentada no sofá, sozinha naquele quarto que parecia mais uma prisão, os pensamentos giravam na minha cabeça como um turbilhão. A ideia de contar a Mary tudo o que eu sabia sobre Sebastian me corroía por dentro. O peso do que ele fez, do que fiz, era insuportável.“Melhor ela do que o Vlad”, disse para mim mesmo.Era agora ou nunca.Levantei-me, decidida, mas com o coração disparado. Minhas pernas tremiam levemente, e o medo de ser julgada, desprezada, talvez até expulsa, estava ali, me seguindo como uma sombra. Mas eu não podia mais viver assim, escondendo a verdade. De uma forma ou de outra, precisava contar a Mary. Ela era a única que poderia, ao menos, tentar entender, e só então recomeçar.Quando cheguei ao jardim, lá estava ela. Mary, como sempre, com aquela aura calma, descansava sob a sombra de uma árvo
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