MILENA CHRISTIANO estacionamento da empresa estava mais vazio que o normal.Segunda-feira de inverno, pensei, e as pessoas atrasam, tomam café mais devagar, demoram para sair de casa ou da cama, como eu, no caso, que pensei seriamente se faltaria na cama para ficar deitada no meu sofá tomando um chá de morango. Coloquei o carro na vaga de sempre, desliguei o motor e fiquei ali por alguns instantes com as mãos no volante, os olhos fixos no para-brisas embaçado, a respiração formando pequenas nuvens de vapor no ar frio do carro.Se eu começasse a listar todas as coisas que poderiam dar errado naquele dia, eu não sairia do carro nunca mais. Enrique poderia aparecer no corredor, Elizabeth poderia fazer algum comentário, alguém poderia fazer um comentário maldoso, uma miríade de coisas negativas que eu mal conseguia pensar.Respirei fundo e apertei o cachecol no pescoço enquanto saia do carro, eu evitaria, pelo menos por hoje, em pensar coisas negativas.Mas bastou em colocar os pés para
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