O pranto desesperado de Dionísio foi perdendo a força aos poucos, transformando-se em soluços espaçados até que a exaustão absoluta cobrasse o seu preço. Ele chorou até adormecer ali mesmo, no asfalto frio, aninhado nos braços da tia. Durante todo o tempo, ele não disse uma única palavra. Não precisava. A dor do menino falava por si só.Amélia continuou embalando-o no escuro, o queixo apoiado nos cabelos finos do sobrinho. O peso do corpo dele, agora relaxado pelo sono, começava a adormecer seus braços. Ele já era um menino grande, pesado demais para ser carregado por ela por muito tempo, embora, naquele instante, parecesse a criatura mais minúscula e frágil do universo.Amélia o apertou contra o peito, o coração transbordando de um amor indescritível. Dionísio havia sido a âncora dela. Quando o seu mundo inteiro havia desmoronado e a vontade de desistir parecia a única saída, foi a existência daquela criança que a manteve de pé. Ele havia lhe devolvido a razão para lutar por algo mai
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