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69 chapters
Capítulo 1
Solidão, para uns pode ser uma fonte de inspiração, para outros um castigo, ainda outros podem considerá-la como um refúgio enquanto que uns outros preferem vê-la como um algoz cruel; para mim acho que ela é um misto de tudo, minha eterna companheira, minha cruel carcereira. A vida toda fui sozinho, quando pequeno, ainda com apenas dois anos de idade me perdi dos meus pais não me lembro muito de minha vida com eles, mas acho que meu pai era músico, pois ainda me lembro dele tocando piano e esse dom que hereditariamente passou pra mim me prova que essa imagem não é apenas um simples devaneio mas uma lembrança distante de uma vida que poderia ter sido minha mas que por casualidade do destino me abandonou à própria sorte. Hoje tenho vinte anos, moro sozinho e sou bem mais feliz do que no lar de minha família adotiva, tenho meu próprio emprego, o qual me permite ganhar meu pão de cada dia e pagar minhas contas sem sair de casa, as vezes eu preciso ir até o escritório da
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Capítulo 2
Dias depois tive uma surpresa muito desagradável, eu tinha saído para comprar umas coisas para casa quando por acaso vi o Daniel na rua, o felizardo namorado da Daniela, era assim que eu o considerava, um felizardo; eu já havia visto os dois juntos algumas vezes na igreja, claro que me senti super mal com isso e ganhei umas caras feias dele também, mas eu não sou nem um idiota, ela eu até encarava, mas um “armário” de um metro e noventa e cinco de altura igual ao Daniel eu não tinha coragem não, me chame de covarde quem quiser mas ainda tenho amor aos meus dentes e parece que para minha infelicidade ela percebeu isso, e passou a vir muito mais vezes acompanhada com ele, e ainda por cima ficava me olhando de vez em quando, é claro que era pra ter certeza de que eu não teria coragem de olhá-la perto do Daniel. Mas voltando à ocasião, des
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Capítulo 3
Resolvi seguir o conselho da Ária ao pé da letra, passei a orar muito mais do que antes pela Daniela, na verdade tinha vezes em que eu orava até mais por ela do que por mim mesmo, e passei a me sentir muito mais confortado, passei a sofrer bem menos pelas repulsas dela. Passaram-se vários meses e eu me conformava muito mais com minha situação, mas ainda me pegava triste por não tê-la comigo as vezes, ainda sonhava com ela e ainda era fascinado pela beleza celestial daquela garota com olhar de anjo. Ela no entanto, é claro que não notou mudança alguma, aliás, nem ela nem ninguém, pois como eu disse antes, eu não passava de um mísero grão de areia. Haviam-se passado um ano desde que a conheci, e ela ainda odiava quando me surpreendia olhando pra ela, mas houve uma vez em que foi diferente, ao invés de abaixar a cabeça ou virar para o outro lado como sempre eu fazia, dessa vez eu a enfrentei, o Edu até estava do meu lado nesse dia, e vendo que eu comecei a provoca
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Capítulo 4
Após terminar um sábado normal como qualquer outro, tive de insistir muito com o pessoal da orquestra pra não ir comer pizza na casa do Marcello, eu estava afim mesmo era de ficar sozinho, tinha uns trabalhinhos extras que eu precisava terminar então ao chegar em casa, tomei um banho, jantei e me enterrei no computador quando lá pelas nove e meia da noite ouvi batidas na porta: – Já vou – gritei. Tomei o maior susto da minha vida quando abri a porta, era impossível acreditar, mas era verdade. – Dan... Daniela? – não podia acreditar que ela estivesse ali, bem na minha frente, bem na minha varanda, batendo à porta da “minha” casa, eu seria capaz de esperar uma visita até do Papa, menos dela. Linda como sempre, usando a mesma roupa que ela usava no dia que ficou tão pertinho de mim pra me ferir com aquelas palavras  duras, uma saia azul marinho pelos joelhos, camisa branca de botões, levemente transparente, sandália preta de s
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Capítulo 5
E a gente continuou assim por mais um tempo que eu não faço a mínima ideia, só sei que passava da uma da manhã quando ela anunciou que precisava ir, isso depois da gente ter conversado sobre os mais diversos assuntos, era simplesmente inacreditável que ela estivesse ali como uma amiga qualquer, depois da gente ter conversado muito, meu anjo precisava ir embora, e isso significava que eu precisava acordar e por um instante isso me doeu, e ela percebeu isso, pois a gente caminhou meio calados do quarto até a porta da sala quando já no lado de fora ela rompeu o silêncio:  – Não se preocupe por que aquela Daniela que você e todo mundo conheceu nunca mais volta. E ao dizer isso, ela passou a mão bem de leve nos cabelos da minha testa, eu não podia crer, mas novamente senti aquela temperatura altíssima ao sentir o toque da pele dela na minha testa, e vi que ela sentiu também pois puxou rápido a mão e a gente ficou ali os dois olhando um pro outro
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Capítulo 6
– E por que você decidiu entregar aquilo que uma mulher tem de mais precioso na sua vida logo pra mim? – Acontece que ninguém consegue ser enganado a vida toda, ninguém é tão ingênuo assim, e aos poucos eu fui vendo que por mais sacrifícios que eu fazia pra ver se ele se afirmava na igreja, estava só perdendo meu tempo pois não tinha resultado nenhum, ele só me dava patada, era grosso comigo, não me dava carinho e ainda desfilava comigo pelas rodas de amigos dele como se eu fosse um troféu ou um objeto de valor, fui percebendo que ele só estava comigo interessado no meu corpo pois ele me pedia direto pra ir pra cama com ele, eu dizia que não, que não tinha coragem, que não seria tão hipócrita assim, mas ele não entendia, queria, queria, queria, aí a gente brigava, um dia eu tive que gritar com ele, ele me insistiu tanto, eu falando que não, que não, que não, tive de gritar, aí ele ficou bravo e me deu um tapa no rosto, eu... – Ele te batia?
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Capítulo 7
Mas enfim chegou a noite, e conforme nosso combinado, cheguei mais cedo, preparei meu instrumento e fiquei lá embaixo entre meus poucos “amigos.”– Algum de vocês viu a Daniela? – Pra que você tá perguntando dela? – Espantou-se logo o Edu.– Estou preocupado, ela inda não chegou.– Você o quê? – perguntou o Marcello.– É que a gente combinou que se encontrava aqui e já vai dar sete e meia e até agora nada.– Léo, para de sonhar vai, você vai virar motivo de piada com esse tipo de brincadeirinha.– Poxa Ária, até você? Eu só estou preocupado, é que agora a gente 'tá namorando.– Vocês o que? – todo mundo quase que em coro, depois disso veio uma tempesta
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Capítulo 8
Não sei se finalmente o veneno dela tinha me atingido ou se realmente eu “abria os olhos” como ela dizia, mas fazia sentido, fazia total sentido pois nos seis meses anteriores ao dia que a gente começou ela continuava a me humilhar e a me aborrecer, foi preciso que o Daniel a traísse para que ela decidisse ficar comigo, e como a Klísia dizia, quem poderia garantir que ela não estava querendo se vingar? É bem verdade que ela havia me jurado isso chorando, mas a Klísia estava certa, lágrimas nos olhos não provam nada, mas são altamente eficientes para convencer uma pessoa emotiva como eu, e a Daniela que todos conheciam era capaz de qualquer coisa, acho que até mesmo se aproveitar de sua aparência e de meu carinho por ela para me armar uma cilada. – Ela não seria capaz de fazer isso comigo. – E por que não? Só por que você é louco por ela? Seja realista “minha vida.” – Para de usar as palavras dela, Klísia e por
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Capítulo 9
– Sabe o que isso significa, meu amor? – ela pensava primeiro nas consequências, pelo menos agora ela era assim.– Lá na igreja?– Sim, nós dois vamos ser excluídos.– É, eu sei, infelizmente sim. – agora ela conseguiu me deixar triste, desde que me batizei, isso quando ainda morava na casa de meus amigos, eu nunca tinha tido qualquer problema com a igreja, mas agora era a primeira vez, e não pensei em mim, pensei nela, eu ia expô-la a vergonha e ao ridículo de não ter sido firme a nossos princípios e agora estar grávida e logo de mim. – acha que devemos nos casar?– Com dois meses de namoro? Claro que não, quer dizer, não que eu não queira, eu quero sim, mas não vai adiantar muita coisa, eu já estou de seis semanas, sabe o que é isso? Cerca de um m&ecir
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Capítulo 10
A ideia de que agora eu seria pai, me fez esquecer quase que todos os meus problemas, eu não queria saber de mais nada, só do meu filho e da minha mulher, embora morássemos cada um em suas casas, ambos, já nos considerávamos assim. Mas também sabíamos de nossas responsabilidades com a igreja, e decidimos ter uma conversa pessoal com o pastor da igreja e logo depois nos submetermos às decisões da comissão da igreja, que nós dois já sabíamos qual seria: Uma dupla exclusão, a qual a Danny me proibiu veementemente de sequer tocar no assunto de me lamentar ou qualquer coisa do tipo por causa dela, ela dizia que se tudo aconteceu foi por que ela colaborou, então não tinha por que ter pena. Achei que ela tinha razão e pus uma pedra no assunto. Decidimos não contar nada a ninguém antes de conversar com o pastor, o que nós descobrimos que deveria esperar um pouco pois o pastor estava viajando e demoraria vários dias para voltar, como ela ainda estava com menos de dois m
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