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Capítulo 11
Na manhã seguinte, recebemos um telefonema do nosso pastor, nos avisando que um dos funcionários dos escritórios de direção da igreja assistiu nossa tarde de programação clássica e tinha gostado muito, aí  estava querendo montar uma orquestra sinfônica a nível distrital  e eram os nomes meu e do Marcello que estavam sendo cotados, na verdade esse era o grande sonho do Marcello, e eu também queria muito participar desse projeto só que  tudo o que eu mais queria era sair dali, pois estávamos correndo risco de vida, eu a Danny que já estava com quase dois meses e meio de gestação e pra quem prestasse muita a atenção, o que não era quase ninguém agora que ela estava comigo, notaria que a barriga já não estava do tamanho normal. Aproveitei a oportunidade pra falar ao pastor que andávamos fazendo algumas “coisinhas erradas” que ele logo entendeu e prometeu que trataria disso logo que retornasse, não abri o jogo completamente pelo telefone, nem mesmo fal
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Capítulo 12
Quando acordei, estava num quarto de hospital, não havia gesso nos meus braços, minha cabeça estava enfaixada, abri os olhos, olhei em volta sem me mover quase chorei quando vi meu doce anjo sã e salva sentada numa poltrona de espera, calmamente folheando uma revista, havia um relógio grande na parede marcando três e meia da tarde haviam também algumas máquinas monitorando meu corpo. – Oi. – Oi, meu amor – na mesma hora ela largou a revista e já veio para meu lado com os olhos marejados começou logo a beijar meu rosto todo. – minha vida, até que enfim, quanta saudade, meu amor. – Como você está? – Estou bem, eu estava muito preocupada com você. Você quase morreu. – Quanto tempo fiquei “fora do ar”? – ela demorou um pouco pra responder. – Três meses. – Tudo isso? – ela apenas acenou com a cabeça dizendo que sim. E já passava a mão no meu rosto. –
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Capítulo 13
Depois de quase um ano e meio, chegou o dia da minha formatura, convidei alguns poucos amigos, não havia muitos, após a cerimônia no auditório da faculdade, precedida de um culto de ação de graças, fomos a nossa festa, e nesse dia me dei ao luxo de passar a noite toda em claro bagunçando com os colegas, a Danny não aguentou e lá pelas três ou quatro da manhã acabou dormindo dentro do carro que tínhamos alugado especialmente para a ocasião. Agora eu me considerava um músico de verdade, oficialmente formado, bacharel em música com habilitação em piano, até então eu dizia que era apenas um estudante. Resolvemos então dar continuidade aos nossos planos, e o primeiro deles, agora que eu tinha me formado era nos mudarmos daquela cidade, ir embora rumo a nosso próprio destino, em outra cidade então iniciaríamos o tratamento dela pra que pudéssemos ter nossos filhos, frequentaríamos uma igreja menor, onde houvesse mais necessidade de ajuda, e conseguiríamos um emprego t
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Capítulo 14
Quando acordei, fiquei aliviado daquele pesadelo, dei graças a Deus por que estava vivo, por que tudo não passava de mais um sonho ruim, que era tudo imaginação minha e que agora era só levantar-me da minha cama e seguir minha vida, lembrei-me que eu precisava continuar preparando as coisas para nossa mudança, abri os olhos e me sentei na cama, eu não estava em casa, não era o meu quarto, não era minha cama, e não era a Daniela que estava lá, tudo em volta era branco, a calma era de ferro, alta, ao invés de um criado-mudo tinha umas máquinas grandes ao lado da minha cama, comecei a ficar com medo, não era  possível, eu ainda estava sonhando, gritei por socorro e não foi a Daniela que apareceu, tinha uma mulher alta, branca de cabelos pretos e curtos, usava um jaleco branco e um crachá escrito Tereza, devia ser seu nome. – Que bom que você acordou, já era hora Leonardo! – ela sorriu pra mim, deu uma olhada na máquina à minha cabeceira, tomou uma prancheta co
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Capítulo 15
Recebi alta uns dias depois, fiquei por um mês na casa do Arthur, não tive coragem de sair de casa pra nada, nem mesmo pra ir à igreja, pelo menos não para “aquela” igreja, e eu queria distancia da casa onde morei com a Daniela, do bairro, de tudo ali. Eu e a Danny, tínhamos resolvido colocar nossas economias numa única conta poupança, onde eu tinha depositado todos os meus direitos trabalhistas e ela os dela, ainda outras economias também, de modo que quando saí do hospital, o dinheiro ainda estava lá, e tinha rendido um pequeno juro, vendi minha moto, comprei um carro com um porta-malas amplo, juntei tudo o que era meu, me despedi do meu último amigo num triste abraço que demorou muito, chorei muito nessa hora, abraçado com ele olhando nos olhos eu não tinha coragem de falar nada. Seus pais que me conheciam muito bem não estavam lá, como o pai do Arthur trabalhava com turismo, estavam ambos na Flórida, Estados Unidos. – Você ainda vai ser mui
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Capítulo 16
Dessa vez não escolhi a cidade por acaso como da outra vez, eu havia conversado muito pela internet com uma moça chamada Ana Paula, falei de meu interesse em mudar de cidade e ela me sugeriu que experimentasse Valparaíso, ficava a uns cem quilômetros de distância da capital, não falei nem mesmo pra ela quando cheguei, decidi “me instalar” primeiro, então aluguei uma casa num conjunto cerca de quinze minutos de carro do centro, eu queria mesmo comprar alguma coisa, pois dessa vez eu estava vindo pra morar e durante os três anos em Lençóis guardei dinheiro pra dar pelo menos uma entrada num imóvel pra mim, mas preferi conhecer a cidade primeiro depois eu poderia escolher melhor. Depois da casa alugada, mobilhada e arrumada do meu jeito, saí de carro para encontrar a igreja e não demorou nem meia hora, percebi que eu ia gostar dali, parei o carro na frente da igreja, havia um rapaz de camiseta branca com uma mangueira regando o gramado da recepção, essa igreja não
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Capítulo 17
No sábado minha nova amiga veio sentar-se ao meu lado na classe de estudos, me incomodou um pouco por que enquanto eu queria prestar a atenção ela conversava muito, mas eu também não queria ofendê-la, então tentei dar atenção a ela da forma mais discreta que pude mas depois de alguns minutos falando sobre o assunto da lição que estudávamos, mudei de assunto na hora: – Vi seus amigos cantando essa semana. – Ah foi? E aí, o que você achou? – Realmente você estava certa, eles são muito ruins mesmo, mas com alguns “ajustes” cantariam muito bem, eles tem vozes boas, parecem ser afinados, mas precisam de ensaios; pareceu-me que eles não ensaiam, ou se ensaiam não o fazem direito. – Eles ensaiam sim, e muito. Acho que não sabem nem ensaiar, né? – Talvez. – E você acha que pode fazer esses, “ajustes”? – Claro, é coisa simples, mas eu tenho métodos diferentes de trabalha
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Capítulo 18
– Ok então – levantei-me do piano, peguei minha bolsa com meu computador e algumas partituras, eu já estava sabendo do ensaio pela Danda e por isso vim preparado, me preparei para ir embora, peguei a mão da Amanda, me aproximei da porta, mas antes de sair falei exclusivamente pra ele – Félix, escute uma coisa, acabei de chegar do interior e ainda não me comprometi com ninguém – eu não gostava muito de ficar falando o que eu era ou não era, o que eu sabia ou não sabia, mas diante da prepotência do Félix, era preciso – eu estudo música desde os dezoito anos, hoje tenho vinte e oito, eu sei que dez anos não é quase nada diante de outros que já vi por aí, mas esses “outros” estão ocupados demais pra ficarem “perdendo tempo” com quartetos – falei assim mesmo, fazendo gesto de aspas com os dedos indicador e m&
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Capítulo 19
Certo dia eu estava perto da sala pastoral, num sábado a  tarde com o Thiago e o Zec, esperando o Félix e o Maurício chegarem para o ensaio, era ainda umas duas e meia da tarde quando passou pela gente, a um metro e meio de distância uma moça baixa de cabelos liso ondulados compridos até o meio das costas, cintura fina, magra, pele branca bronzeada, quase morena clara, rostinho delicado, infantil, passou pela gente de cabeça baixa e se foi, não tive como não olhar pra ela, enquanto que os rapazes por sua vez notaram meu interesse: – Minha nossa quem é esse anjo, que garota mais linda – falei alto pra que ela ouvisse, mas é claro que ela nem se quer olhou pra trás. – algum de vocês conhece essa princesa, caramba que anjo! Acontece que nenhum dos dois respondeu, o Thiago me olhava com cara de quem já esperava por isso, já o Zec parecia estar se segurando pra não rir. – Que aconteceu, algum de vocês pode me explicar? – É que,
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Capítulo 20
Não fiquei muito tempo ali sozinho, peguei a estrada que saía do camping e fui andar pela mata, logicamente isso era proibido, mas eu precisava sair dali a todo custo, eu queria descarregar minha raiva, se bem que eu não tinha tantos sentimentos assim pela Amanda, mesmo assim ela era MINHA namorada, me devia no mínimo respeito, acho que na verdade a gente estava era ficando só por ficar, ela por que me achou bonito, eu por que queria uma desculpa pra afastar a memória da Daniela da minha cabeça, eu sabia que nunca mais veria a Danny, e principalmente depois de ter tentado suicídio uma vez eu precisava afastar ela de minhas lembranças a todo custo, então acho que foi por isso que aceitei ficar com a maluquinha da Danda, mas agora que eu já começava novamente a perder os sono por causa de outra pessoa acho que as coisas entre eu e a Danda começavam a esfriar, daí os sumiços del
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