Capítulo 7

Acordo perdido ao ouvir meu celular tocar em um canto do quarto, passo as mãos nos olhos e minha vista demora a focar no teto do quarto.

Depois de longos minutos olhando para o nada percebo que Jessye dorme agarrada ao meu corpo como se eu fosse um travesseiro.

Seu braço está estendido sobre o meu peito e sua perna jogada sobre as minhas sem contar o fato de que ela está nua.

Completamente nua agarrada a mim.

Esfrego os olhos com uma mão e apoio à outra em sua cintura tentando me desvencilhar de seus braços, mas ela geme baixinho esfregando o rosto em meu peito.

Foco Jack, foco.

Repito aquelas palavras para mim mesmo e queria saber como ela podia ser tão descarada e maluca a ponto de dormir nua agarrada a mim dessa maneira se mal nos conhecemos.

Ou é muita confiança e inocência ou isso faz parte do seu jogo junto com seus pais para me enlouquecer, afinal isso já está em um nível de confiança acima do que eu poderia imaginar.

Sem contar que ainda era humano porra, difícil não me excitar com seu corpo grudado ao meu dessa maneira, sua pele macia, seus seios pressionados contra meu corpo, sua intimidade em contato com minha perna, mesmo que por cima do tecido da calça social podia sentir seu calor, o cheiro do seu perfume já suave pela noite de sono, aqueles fios de ouro que tanto me chama a atenção jogados sobre meu peito.

Fecho os olhos com força usando toda a minha concentração para retirar minha atenção do seu corpo sobre o meu. E depois de muito tentar percebo que nada adiantaria, eu queria aquela menina mais do que eu gostaria de admitir e nem acredito que isso aconteceu em menos de um mês.

-Jessye... -Chamo com calma e ela parece estar em um sono profundo, até entendo, a muito tempo não durmo tanto quanto hoje.

Não sei se pelo cansaço ou por estar enroscado em seu corpo, isso era algo que eu realmente gostaria de entender.

-Ei Jes, acorde. -Acaricio seus cabelos e sonolenta ela se remexe resmungando.

- Que horas são? -Pergunta perdida.

- Não sei, mas acredito que estamos atrasados. -Afirmo despreocupado e vejo seus olhos se arregalarem ao ver que estava agarrada ao meu corpo.

- Eu... eu... eu.... -Gagueja enquanto o tom vermelho toma toda a sua face me fazendo rir.

-Bom dia. -Pisco e ela se encolhe agarrando o travesseiro para tampar sua nudez.

- Você viu tudo? -Pergunta envergonhada.

-Bem, contando com o fato de que você é minha esposa e poderia presentear seu marido com a bela visão do seu corpo nu, a resposta é não, eu não vi tudo, quase tudo na verdade. -Afirmo e recebo uma travesseirada. -Aí.

-Idiota. -Resmunga mais do que envergonhada.

-Também gostei de dormir com você. -Deixo um beijo em sua testa antes de levantar e ela abaixa o travesseiro deixando somente os olhos de fora.

-Mal nos conhecemos...

-É estranho eu sei, mas algo me diz que tenho que te proteger ou morrerá nas mãos dos malucos dos seus pais. Queria tanto te odiar, mas simplesmente não consigo, então vamos deixar o passado para trás, fingir que nosso casamento não gerou tamanha desconforto para nós dois e seguir em frente. -Afirmo desabotoando a camisa para tomar um banho, afinal acabei pegando no sono junto a ela. -Falando nos seus pais, está mais calma? - Pergunto realmente preocupado, pois ontem ela parecia que entraria em um colapso.

- Sim, obrigada por permanecer ao meu lado e não me deixar sozinha, isso realmente me acalma quando entro em crise por causa da claustrofobia.

-Tudo bem, não sou do tipo de pessoa que ignora os medos dos outros. É importante que você confie em mim e eu em você, então sinta-se à vontade para me pedir ajuda se preciso.

- Obrigada. -Murmura envergonhada.

Caminho em direção ao banheiro e me lembro da viagem, olho o relógio sobre a cama e vejo que temos menos de uma hora e meia para levantar voo.

-Irei tomar um banho rápido, pois estamos atrasados. Ontem eu te avisei que seu pai solicitou nossa presença na Alemanha para me apresentar como herdeiro do seu trono, mas você pegou no sono bem no momento. Faça uma mala pequena, não ficaremos muitos dias, mas não há como fugir como você bem sabe.

-Sei. - Ela suspira pesadamente.

-Desculpe por isso, não é algo que eu queria. -Afirmo com convicção.

-Fico feliz que seja você, pelo menos vejo que se preocupa mais comigo do que com o título que herdará e me alegra, pois achei que você nem mesmo se importaria comigo, agora saia logo que eu quero tomar banho e me trocar. -Sussurra envergonhada e acabo rindo.

-Tome banho primeiro enquanto preparo um lanche para comermos, não vou entrar no banheiro prometo.

Assente sem nada a declarar.

Eu realmente não entraria no banheiro contra sua vontade. Só entrei ontem, pois era uma situação realmente complicada que não tinha muito o que ser feito e em minha defesa nem sabia que ela estava nua. 

Desço os degraus das escadas tentando ignorar tudo o que aconteceu em menos de vinte e quatro horas.

A proximidade inesperada a aceitação de Jessye sobre nós dois e até a minha possível ideia de cogitar a possibilidade de que esse casamento daria certo. Isso é um absurdo, ao mesmo tempo que aceito os fatos, nego sabendo que me arrependerei no final.

Sei que Jessye não tem culpa de nada, mas porque as coisas tinham que ser assim?

Ela é linda, maravilhosa na realidade, mas Edgar é um verdadeiro cretino, como o infeliz do meu pai.

Disperso os pensamentos de Donatel, pois ele estava morto e muito bem enterrado. Não quero recordar o passado ou aí sim ficaria de mau humor.

Abro a geladeira em busca de algo que possamos comer. Marília é uma ótima funcionária e sempre prepara guloseimas para semana,

E como esperado encontro alguns doces e aperitivos. Abro o potinho e encontro pequenos pães recheados do que parecia ser um patê.

-Serve ou iremos nos atrasar.

Deixo sobre a mesa e pego a jarra de suco. Roubo um pequeno pão comendo-o quando ouço o telefone da sala tocar.

Não costumo receber ligações no telefone fixo. Caminho em direção a sala e atendo depois de alguns toques.

-Jack? -Aquela voz conhecida faz os pelos do meu corpo se eriçarem.

-Nona, aconteceu alguma coisa? -Pergunto preocupado.

-Venha para casa. - Ela limita-se a dizer, pois esse era nosso combinado.

Telefones nunca são confiáveis, ainda mais linhas fixas.

-Nona eu tenho um voo para Alemanha... -Faço uma pausa. -Chegarei em alguns minutos. -Desligo sem esperar resposta e corro para o andar de cima em busca de uma jaqueta de couro.

A preocupação domina cada poro do meu corpo e nem olho para trás quando desço as escadas novamente, mas me lembro de Jessye e sou obrigado a voltar.

-Satisfações, merda. -Praguejo subindo as escadas e torço para não a encontrar nua novamente ou minha sanidade entraria em colapso.

Por sorte ainda ouço o barulho da água e bato na porta suavemente, pois não queria assusta-la.

-Jessye? -Chamo.

- Não terminei ainda.

-Surgiu um compromisso inesperado, vou me ausentar por algumas horas. Prepare sua mala e coma algo, vamos para Alemanha com o voo dos meus irmãos.

-Está tudo bem? -É notável a preocupação em sua voz.

- Sim. -Minto observando o relógio. -Tenho que ir.

Não espero sua resposta, apenas desço as escadas correndo e praguejo a demora do elevador para chegar no subterrâneo.

Saio do estacionamento o mais rápido que posso e contorno as ruas de Pádua em alta velocidade.

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