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Capítulo 2

Emma abriu os olhos. Só podia ser uma brincadeira. Ela sabia que Máximo jamais a escolheria.

— Vem, Emma — disse Máximo, com as bochechas vermelhas de tanta raiva que parecia que ia explodir.

Lilian, que todos olhavam, decidiu sair da festa. Sentia-se humilhada. Ao passar, deu um encontrão no ombro da irmã.

— Isso não vai ficar assim — sussurrou, olhando-a com olhos cheios de ódio.

Emma queria ir embora, mas o próprio Máximo se aproximou, segurou sua mão e a puxou, obrigando-a a ir para o centro da matilha.

Seu coração batia acelerado. *E se Máximo sentisse algo por ela?* Nunca havia considerado a possibilidade de ser amada.

— Aceita logo, não tenho tempo pra esperar. Aceita? — perguntou ele naquele tom arrogante, carregado de dor, de um Alfa traído que só queria sumir dali.

Emma se decepcionou e aquela pequena luz que havia acendido em seu peito por um segundo se apagou.

— Não.

Tentou sair, mas Máximo a segurou pelo braço com força. Emma girou e o encarou diretamente nos olhos, enfrentando-o.

— Está dizendo não ao seu Alfa? — sussurrou Máximo no ouvido da loba, fazendo a pele dela se arrepiar.

— Você não é dono de nada, muito menos da minha vida — respondeu Emma, soltando-se e saindo correndo sob o olhar atento de todos.

— A festa acaba agora! — rosnou Máximo, voltando para casa. Sua vida e todos os seus planos tinham ido por água abaixo com a pior das traições.

Victoria decidiu seguir o filho. Daniel fez o mesmo. Ao chegar em casa, a rainha ordenou que todos os deixassem a sós.

Daniel se lançou contra o irmão e o empurrou com as duas mãos.

— Nós dois tínhamos um acordo! — exclamou furioso.

— Que acordo é esse? Por que escolheu aquela selvagem? — perguntou Victoria, que não queria aquela loba como rainha e dona de sua casa.

— Emma vai se casar comigo. É minha decisão.

— Você me prometeu! Disse que, quando se casasse com Lilian, daria uma posição de respeito para Emma pra que ela pudesse ser minha esposa.

Daniel sempre havia amado Emma e só se aproximara de Lilian para se vingar do irmão, que sempre roubava toda a atenção só por ser o mais velho.

Máximo olhou para o irmão com raiva, aproximou-se e sussurrou em seu ouvido:

— Olho por olho. No bosque você me tirou Lilian, eu vou te tirar Emma.

Daniel ficou paralisado, sem saber o que responder. Havia sido descoberto.

Victoria não entendia o que estava acontecendo entre os filhos, mas tinha certeza de que não permitiria aquele compromisso.

Decidiu ir até a casa dos Monroe. Lilian estava destruída, chorando sem parar.

Carlota a consolava, enquanto Eduardo, ainda muito debilitado de saúde, não entendia a situação.

Victoria entrou no quarto de Lilian e acariciou suas costas.

— Você será a rainha. Jamais vou permitir que Emma ocupe um lugar na minha casa.

Enquanto isso…

Emma se refugiou na casinha que tinha no bosque, que dividia com Paul, seu melhor amigo. O lobo chegou para consolá-la.

— Ele quer me humilhar. Não sei por que está fazendo isso, mas não vou permitir — disse Emma. Sabia que o amor de Máximo por ela jamais existiria, que havia algo mais por trás.

Bem cedo, a loba acordou com o barulho de cascos de cavalo.

Levantou-se rapidamente e saiu até a porta. Máximo estava lá.

— O que você quer? Já disse que não vou ser sua esposa.

— Sei que você é selvagem, mas também reconheço que é muito esperta. Por isso vim te oferecer um trato.

— Por que essa insistência? Você sempre me desprezou.

— Quero me vingar da sua irmã. Ela me traiu e qual seria a melhor vingança do que escolher a meia-irmã rejeitada?

Emma o convidou a entrar. A casa era velha e humilde, um universo que contrastava totalmente com a vida de luxo de Máximo.

— Estou ouvindo, mas não tenho muito tempo, então seja rápido — disse Emma, sentando-se à mesa enquanto tomava um pouco de café numa caneca de metal, que também ofereceu a Máximo.

— Case comigo e peça o que quiser. Estou disposto a pagar um preço bem alto. Será por um tempo, se você quiser, e depois te dou a liberdade.

— Dinheiro não me interessa. Diferente de você, ouro não me impressiona — respondeu Emma, cruzando os braços. Estava curiosa para saber até onde ele estava disposto a ir.

— Todo mundo deseja alguma coisa. Peça.

Máximo franziu a testa. Emma sempre fora um desafio para ele.

Emma ficou em silêncio por alguns segundos, pensando.

— Me ajude a encontrar minha mãe. Serei sua esposa e vou entrar nessa farsa.

— Sua mãe? Por que quer procurá-la? Todo mundo sabe que ela fugiu com outro lobo, é uma desvergo...

Emma o interrompeu com energia:

— É mentira! Tenho certeza disso. Na última noite em que me deu um beijo antes de dormir, ela me disse para não acreditar nas coisas ruins que falassem dela — Emma derramou uma lágrima, que limpou imediatamente.

Máximo ficou em silêncio. Conseguia ver nos olhos de Emma uma determinação que nunca tinha visto em ninguém.

— Tudo bem. Se casar comigo, vou te ajudar a buscar respostas sobre sua mãe — disse Máximo, levantando-se da mesa. — Temos um acordo?

Emma estendeu a mão, mostrando o dedo anelar com um ar um pouco arrogante.

— Querido noivo, não trouxe um anel pra mim?

Máximo balançou a cabeça. Jamais daria o anel de diamantes para Emma. Saiu para o bosque, procurou um pedacinho de madeira pequeno e redondo, e com sua adaga deu forma em poucos minutos. Colocou-o no dedo

dela.

Ela sorriu, estendeu a mão para Máximo, que a apertou com força.

— Temos um acordo, Alfa Máximo.

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