PARTE 3

_Posso dizer que foi tranquila!

_Vamos entrar! Dolores já preparou um delicioso café para você! E também fez algumas panquecas que você adora!     

Derek feliz enfim novamente, entra na casa, abraçado aos pais e com sua mochila nas costas, depois de um ano. O rapaz cumprimenta também a empregada Dolores de origem mexicana, que estaria na família desde que Derek tinha sete anos.

O filho querido dos Ferris; recebe também um abraço da empregada  Dolores que retribui com algumas palavras;

_Ainda esta mui bonito senhor Derek!

Ferris também a elogia e diz que se sente feliz em vê-la, mas que também sentiu saudades de sua comida.

_Así! Que tu espera a ver lo que te voy preparar para su almuerzo.

Derek da algumas gargalhadas do estilo cômico da empregada e a mania de sempre conversar em espanhol, sua língua nativa. Todos já estavam acostumados e entendiam bem o que ela falava. Entre uma mastigada e outra eles conversam bastante a mesa. Derek aproveita para contar ao pai que encontrou o disco que ele queria. E que haveria encontrado algo para sua a mãe também. Sarah dizia estar ansiosa para ver o que era, mas pelo decorrer da conversa e a saudades do filho com os pais, exclama que é difícil ter que esperar que apenas ele venha uma vez por ano, que quase todos os Natais tem que passarem sozinhos. O filho explica que nos dias que antecedem o Natal são os dias mais movimentados do ano. Não se importando de quando se veste de Papai Noel dirigindo pelas ruas;

_Só que não é justo eu e o seu pai largar esta casa confortável e todos os anos ter que ir para aquele lugar apertadinho onde você mora;

_É o que minha grana da para pagar mãe!

A mãe que já vinha chamando a atenção dele algum tempo salienta que ele não se mudou para um bom apartamento, porque ele não quis. Com o dinheiro que ela tem, poderia muito bem, até comprar um para ele se quisesse. O orgulho de Derek Ferris; parecia bem maior do que qualquer coisa para se permitir viver com o dinheiro de seus pais. Conhecendo bem o rumo que levaria o assunto, ele pede para que não prolongue aquele diálogo.

Depois de pedir licença, comunica à família que precisava tomar um banho e descansar um pouco, mas pediu aos pais, que o acordasse para o almoço;

_Filho eu já pedi para Dolores deixar arrumado seu quarto e mandei colocar cortinas novas também! Avisa Sarah Walters Ferris;

_Agradeço minha mãe e obrigado Dolores.

No quarto após o banho, Ferris desfaz as malas colocando algumas coisas no guarda-roupa. Ele olha atentamente ao redor do quarto e repara que está tudo no lugar, como havia deixado da última vez. A exceção da roupa de cama e a cortina, como havia mencionado Sra. Walters. Depois ele senta a beira da cama, olha para um quadro na parede com uma foto de quando tinha sete anos. Era de seu primeiro dia na escola. Ao lado de outra quando ele já estava adulto. Aos poucos ele foi se encostando à cabeceira, como estava muito cansado apagou e pegou no sono.

Estava perto da hora do almoço, Derek sentia mãos lhe acariciando os cabelos, enquanto ainda dormia. Os sonhos voltavam em sua cabeça. A bela moça invadia sua mente mais uma vez, com aqueles olhos azuis brilhantes, próximo a sua face. Assim como o rosto, tudo nela era tão nítido que ele não conseguia desviar de seu olhar, nem daquela feição. Nem mesmo quando seu sorriso encantador, cheio de variáveis emoções; em razões daquilo que ele desconhecia. Tudo parecia encantador até se ver numa maca e a moça ao seu lado inconsciente num respirador. Ele abre os olhos e se assusta no momento em que sua mãe ao seu lado sentada em sua cama, passava as mãos pelos seus cabelos;

_Desculpe! Eu lhe assustei?

_Não mãe! Acho que foi só um sonho sei lá! Mas que bom que a senhora esta aqui!

Ele beija as mãos de Sarah Ferris que não resiste em perguntar ao filho sobre os sonhos e as imagens em sua cabeça, que o atormentam há quase um ano. Ele pensa um pouco antes de fazer comentários sobre o assunto. Até confessar a ela, quanto tem sido angustiante não entender todas aquelas imagens confusas. Como se aquilo fosse trechos de algo que fizesse parte supostamente do que havia vivido, qual não conseguia abranger. Sarah o aconselha ficar calmo. Que o mundo gira. Quem sabe no meio destas voltas, tudo possa fazer algum sentido. Dando ao filho a oportunidade de encontrar as respostas que tanto buscava;

_Conversamos tanto por telefone sobre meus sonhos. Várias vezes a senhora e o papai ignoraram, como se eu estivesse louco. Eu entendi meu pai, mas a senhora eu não sei por que parecia não ter acreditado em mim e no que eu lhe falava. Comenta Derek já se sentando a beira da cama e colocando a mão sobre a cabeça, baixando-a em seguida.

_Me perdoe! Talvez eu tenha me expressado mal! Eu nunca tinha lhe visto com uma namorada de verdade antes. Até torci para que encontrasse logo alguém. Quando consenti que fosse embora para São Francisco. Minha esperança era que trouxesse uma futura nora para eu conhecer e dissesse que estava apaixonado por ela. Mas nestes seis anos quando enfim você se apaixona por alguém ela não passa de imagens e sonhos em sua cabeça.  

Os dois tem um breve dialogo e Sarah menciona ao seu filho, que do modo com que ele foi embora da última vez, há deixou muito triste. Disse-lhe também, que durante as conversas que teve por telefone, também duas visitas que havia feito a ele em São Francisco, achou por bem apoiá-lo e torcer para que então ele encontra-se a tal garota.

 _E agora a grande neurocirurgiã Sarah Walters Ferris, de repente acredita que ela vai aparecer?

_Não sei! Eu passei a sentir isso nos últimos dias! Não me pergunte por que. Não faz parte do meu profissionalismo, mas não posso ignorar como ser-humano, as energias que estão a nossa volta. Como mãe, tenho sentido desta forma! Sarah começa a chorar.

Ferris abraça sua mãe, da um sorriso, dizendo a ela que ser sensitiva e vidente vai contra o que ela preza como médica realmente. Mas agradece o seu gesto de solidariedade. Depois mudam de assunto e descem para almoçar.

Sarah tem 51 anos, enquanto seu marido Toben tem 83. Na família existem alguns mistérios que vinham gerando especulações. Sarah é uma veterana doutora que deixara de clinicar. Já não atuava com a mesma frequência tanto nos hospitais e clínicas, para se dedicar exclusivamente a um programa de ajuda terapêutica via internet e seu Blog para outros médicos em seu site.  (drneurosurgeon.sarahferris.com).

Sarah não teria fotos dela quando era mais jovem e nem de seus pais. Derek não conheceu seus avós, apesar de ver algumas fotos de seu pai que era camponês, ao lado dos pais dele quando era bem mais jovem, quando morava no estado de Nevada. Segundo a história dele; teria vindo à Califórnia na esperança de ser um lugar promissor. Coincidiu que havia uma vaga de motorista num anuncio de jornal e por fim, veio parar na casa da família da então esposa. Depois de anos trabalhando, após a morte dos pais dela, houve um incêndio, que segundo o que foi contado, teria começado na cozinha e foi para o quarto, queimando roupas documentos e as fotografias. Porém Derek nunca ouviu falar por outras bocas além de seus pais, sobre o tal incêndio. Nem mesmo nos noticiários da época! O que soava ligeiramente estranho. Sempre que ele perguntava sobre o assunto, ninguém falava a respeito. Nem mesmo Dolores Garcia que segundo se comenta, era filha de outra empregada que estava com a família há muito tempo antes de falecer.

Derek muitas vezes se sentia um estranho em sua própria casa. Quando tinha que falar de algum determinado assunto com sua própria família. Um destes assuntos era o que se referia a respeito ao passado de seus pais. Apesar de a história ser sempre a mesma, nunca tinha nada acrescentado, o que era normal aparecer uma ou outra lembrança. Era como textos decorados. A pessoa podia repeti-lo, que não faltava nada nas palavras. Mas como levava em conta que dois dos seus anos foram apagados de sua cabeça, ficaria mais difícil saber se surgiu ou não um novo assunto a respeito. Ou que seus pais escondiam algum segredo que ninguém pudesse saber. Incluindo ele.

Após o almoço Derek começa olhar alguns porta-retratos da família na estante para matar a saudade. Ele consegue lembrar-se de muita coisa, menos o período desses dois anos antes de suas últimas férias, meados de 2018. Este tem sido seu grande dilema, pois acreditara que a garota com quem vinha tendo sonhos e visões, poderia também estra numa parte de algum momento que sua memória registrou ou fragmentos dela, enquanto esqueceu-se destes dois anos.

Derek pede para sua mãe o álbum com as fotos de 2016 e 2017. Sarah reluta um pouco em contar onde estaria guardado, porém aponta para dentro de uma das portas da estante. Ele abre outro álbum primeiro onde teriam fotos de vários períodos;

_ Mãe, porque o papai nunca foi a Londres com a gente? Questiona Derek que olha para sua foto de infância numa praça próximo ao big-ben e outra em um casarão. Foto esta que Derek lembra vagamente apesar de ter tido apenas três anos de idade naquela época.

_Já lhe contei esta história algumas vezes. Eu fui trabalhar num grande hospital em Londres, o Bethlem Royal Hospital.

_Sim e sei! O mais antigo hospital psiquiátrico de Londres, fundado em 1247. Disso eu não esqueço, e daí?

_Bom que lembra! Como eu estava dizendo! Pois eu estava fazendo estágio e precisava muito desta experiência, para o bom reconhecimento de meu trabalho quando voltasse aos Estados Unidos. Você era muito agarrado comigo, então o levei; e lá contratei uma babá.

Ferris confirma já ter ouvido a história, mas pegando o álbum que continha fotos de 2015 a 2017 ainda fica perturbado! Já que não reconhece nada e por conta disto, b**e uma frustração olhando umas fotografias de um jogo importante dos Lakers em Los Angeles, a festa de seu aniversário de 31 anos o Natal de 2017 e a última festa que ele estava antes de voltar para São Francisco em 2018.

O filho de Sarah não consegue entender por que razão, somente as memórias de 2016, 2017 e parte de 2018 foram apagadas por causa de uma queda. Sarah explica que a memória pode voltar gradualmente em casos específicos e que talvez levasse de meses a um ano, para se lembrar do que ele perdeu. Quanto a ele ter perdido pouco mais de dois de seus anos, ela não explica muito bem. Mas esclarece que em muitos casos são as mais recentes memórias, que se perdem ocasionados por amnésia e lesões.

Ferris pensara ter estado em algum momento com a garota qual viria sonhando, contudo sua mãe jura que não. E alega não fazer parte de nenhum momento em que ela e o marido teriam conhecimento, daquilo o filho havia vivenciado.

Derek Ferris havia saído com muitas garotas em toda a sua vida e provavelmente até esquecera-se de alguma que houvera de ter saído nos anos perdidos em sua memoria. Mas uma coisa ele tem certeza, alguém de San Diego ou São Francisco saberia, ou teria visto ele em sua companhia, pois Derek teria sido avisado pelas pessoas que o conheciam e os lugares que já costumava frequentar. Certamente mencionariam a ele sobre quem ela era e as características da garota que mexeu com seu coração.

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