PARTE 1

Faltando um dia para as férias...

 

Era 7;20 quando o celular toca e Derek Ferris desperta  após ter tido um pesadelo. Seu coração batia muito e a sua respiração estava intensamente ofegante. Logo que constatara que era apenas um sonho e observa o relógio, percebendo que estava atrasado para o trabalho. Pula de sua cama rapidamente e ainda se vestindo o mais depressa que podia. Enfim atende o celular que já havia tocado antes, enquanto dormia. Era seu amigo Paul Brant ao telefone;

_E ai cara! Qual é! Falei pra você que meu carro estava na oficina e você ficou de me dar uma carona lembra?

_Esta bem! Me desculpe! Eu perdi a hora valeu! Estou chegando aí em vinte minutos...

_Você esta tendo insônias de novo?... Derek ri apenas, depois desliga o telefone!

Derek Ferris é um rapaz de 31 anos solteiro que trabalha para uma empresa de pequenos transportes chamada “Express Route”. E atende a cidade inteira. Facilitando os serviços dos correios. E assim segue todos os dias da semana pelas ruas de São Francisco no estado da Califórnia. Todas as manhãs de segunda a sábado, a rotina é sempre a mesma. Derek acorda cedo; coloca seu uniforme, toma um café rápido, pega sua pick-up, segue o trajeto chegando à empresa, b**e o ponto e recebe a lista das encomendas. Alguns funcionários carregam o furgão e após conferir a carga, ruma para as entregas.

Sua rotina de vida basicamente tem apenas um padrão. De casa para o trabalho, do trabalho para a casa. A exceção dos fins de semana, onde se reúne com seus amigos Paul Brant e Nickolas Palmer (Nick) e geralmente quando não ocorre uma festa pela região, ou algum deles tem outra ideia mais animada, continuam com o lugar de costume. Um barzinho próximo à orla de uma praia muito frequentada.

Trabalhando na “Express Route”, desde que escolheu São Francisco para viver e morar, Derek procura se ocupar o máximo que pode, durante os dias úteis. Há seis anos havia largado outro emprego num hospital em San Diego como enfermeiro e que segundo ele, preferiu o serviço de entregas, porque tinha naquela atividade, um pouco da liberdade que tanto presava. A Empresa de transportes, não era nenhuma maravilha, mas segundo Ferris, lhe deixava menos estressado do que o antigo emprego arranjado por sua mãe, a Doutora Sarah Ferris, após trancar seu último ano da faculdade de medicina. Cansou de correr “pra lá e pra cá”, atendendo muitos doentes, optando por buscar alguma atividade que-o deixasse de cabeça fria e a mente mais tranquila.

Nick trabalha numa revendedora de carros, qual o proprietário é seu pai. Apesar de o senhor Palmer ter uma vida social bem equilibrada e aos olhos de muitos, ser um empresário bem sucedido, o filho para usufruir de regalias, tem que se esforçar muito para convencer os clientes a adquir um veículo novo.

Paul trabalha na mesma empresa que Derek como ajudante; Ou às vezes preenchendo a folga de alguém na ‘‘Express Route”. Ambos estão sempre querendo arrumar uma garota para Derek Ferris, já que nos últimos meses vêm tendo sonhos e visões com a “sua própria”, existente apenas em sua cabeça. E esta seria a então mulher da sua vida, que segundo Ferris, apareceria qualquer dia daqueles em algum lugar e ficariam juntos. A teórica história de Derek, quase sempre gera motivos para piada entre seus colegas e amigos. Incluindo alguns clientes da empresa onde ele trabalha.

Por conta deste sonho Derek teve que fazer a pedido de sua mãe algumas sessões de psicanalise, mas depois de algumas semanas sem ver resultados, optou por desistir. O que aparentemente não vinha ajudando muito.

Já passara das 7; 50 h quando Ferris para na frente da casa de Paul. Este que já o esperava na calçada. Imediatamente entra em sua camionete Ford F-1000 modelo 94 azul marinho com cinza e listras vermelhas, que foi de seu pai e que ele amava e zelava;

_Pô cara! De novo! Estamos vinte minutos atrasados Agora vou levar bronca do chefe também por sua causa!

Reclama Paul Brant com o amigo que estava bastante pensativo e naquele dia um pouco mais que o habitual, além de bastante estressado;

_Fica frio valeu! Deixa que eu me entendo com o chefe!

Apesar de ser um cara brincalhão, Paul estava ficando preocupado com o amigo; e por mais que às vezes zombava dele, queria vê-lo bem.

Seguindo seu curso para a empresa, Derek que já se demonstrava perdido em pensamentos, dividia-se entre seu olhar fixo para as ruas e o que seu parceiro falava, evitando se irritar com o amigo de seis anos. Na visão de seus colegas, Derek não vinha sendo mais o mesmo depois de ter voltado de sua última viagem à casa de seus pais á um ano.  Antes ele era até visto pelos seus colegas como um cara do tipo conquistador, que chamava a atenção das mulheres só com o olhar. Sempre que ele tinha vontade saía com a primeira que ele se encantasse. Principalmente em festas e boates.

Com os sonhos a que vinha tendo, praticamente desde o mesmo período que voltou de sua última viagem, acabou por despertar preocupação em seus colegas. Como estes sonhos e visões tornaram-se constantes, eles uma vez ou outra, procuravam conversar um pouco para saber como o amigo se sentia e não deixa-lo que ficasse entediado;

_Que ta pegando cara?  A garota deixou de aparecer nos teus sonhos agora?

_Ao contrário! Os sonhos têm sido mais nítidos ao longo do tempo, e não são claros, entende?

_Não! Eu não entendo! Eu nunca tive estes tipos de sonhos. Responde Paul; _Acho que você devia voltar ao psicólogo e tentar reverter isso.

Pego por vários questionamentos, o amigo de Paul busca em seu pensamento um sentido coerente para justificar as visões constantes em sua cabeça e às vezes até lembrar-se de algo que o direcione para algum ponto esquecido em algum momento de sua vida. Como exemplo as crenças de ter vivido algo com alguém que ninguém de seu meio possa ter testemunhado. E por esta razão fica agitado, quando não pode conversar com alguém. Se já não bastassem os sonhos e visões, começaram a aparecer também os pesadelos. Algo que ainda não havia acontecido. Todas as visões de Ferris com a mulher nas suas alucinações envolviam apenas trocas de carinhos e flashes de momentos íntimos e felizes com ela. E justamente sobre os pesadelos ele dialoga com Paul;

_Cara! Isso não é bom! Eu aconselho você tentar esquecer esta garota!

 _Não sei dizer se isso é bom ou ruim, mas ter um pesadelo onde eu bato o carro em companhia da mesma garota, e isso quer dizer alguma coisa!

Ele explica ao seu amigo que às vezes acredita que aquilo pode ter acontecido nos dois anos que ele não lembrara. Que sua mãe especialista em neurociência, acha que pode ter sido possível, por outro lado, quando pesquisou sobre o assunto, cogitou que poderia ser algo que viria acontecer. Previsões de algo que aconteceria um dia e que isto já fazia parte de outro tipo de ciência, qual sua mãe abomina pela sua profissão; Segundo Ferris. Só que depois daquele último pesadelo, começa se voltar contra o pensamento profissional de Sarah. Conclui Derek que viu a garota ferida gravemente e que havia até uma ambulância e ambos haviam sidos levados a um hospital, aquilo o deixou extremamente preocupado e com a crença de que aquilo poderia sim estar perto de acontecer. Ouvindo a história, Paul sentia que aquela conversa não o fazia bem;

_Acho melhor você ficar atento no trânsito!

_Eu estou atento! Só estou descrevendo o meu pesadelo! Fica frio!

No meio do diálogo, Paul se nega a pensar na possibilidade que algo do gênero possa vir acontecer, por outro lado afirma que seu amigo jamais sofreu um acidente de carro. Quanto a possível garota, ele nunca havia mencionado para um dos amigos no tempo qual ele se julga não lembrar; por não acreditar em previsões, acha pouco provável ser alguém que ele viesse encontrar um dia no futuro.

O assunto estendeu-se até chegar ao estacionamento da empresa e quando os dois adentraram o galpão, seu chefe foi logo dando uma bronca. Como era previsto;

_Ferris. Eu vou descontar estas horas atrasada em suas férias; e lhe garanto que quando você voltar a trabalhar e chegar novamente atrasado, eu vou despedi-lo.

_Ok chefe! Prometo que isso não vai se repetir!

_Não prometa se não vai cumprir garoto! Quer um conselho? O Supervisor da empresa segura em seus braços; _Aproveita as férias, reflete. Seus pais são ricos, você ainda pode se formar ser um excelente médico ou pode arrumar um trabalho no escritório de uma grande empresa e ganhar dez vezes mais.

Recebe “dois tapinhas” nas costas e segue sacudindo a cabeça para os lados. Depois de alguns minutos, foi conferir a carga como era de praxe, além dos papéis e notas referentes às encomendas; os pacotes, caixas e malotes que iria transportar.

Como havia muito que entregar naquele dia, de sábado, Paul Brant que já vinha sendo seu ajudante algum tempo, seguiu junto com ele para acelerar as entregas, antes que passasse do horário previsto.

Por ter no sábado, horas mais curtas. O que seria meio período. E se as encomendas não estivessem em seus destinos até o fim daquele expediente, ainda assim teriam que continuar ás entregas. A menos que seus respectivos donos não estivessem nos locais para o recebimento. Então elas voltariam para a empresa e seus clientes receberiam um telefonema avisando que seus pacotes estariam no depósito, aguardando seus donos a vir buscá-las. Caso isso não acontecesse, depois de 30 dias, à mercadoria retornaria ao seu local de origem e destinatário.

Aproximava-se o feriado de Quatro de julho e parecia que a “Express Route”, tinha muito que fazer nas semanas seguintes, porém, por nenhum momento, Ferris preocupou-se, já que aquele seria seu último dia antes das férias.

Enquanto rodava com destino aos endereços marcados, Paul o amigo, e durante o trabalho, seu ajudante também, volta ao assunto da garota qual seu parceiro vivia sonhando. Paul sugere a Ferris começar sair novamente com alguém, como fazia costumeiramente durante o tempo em que era tido como um grande conquistador. Brant acreditava que aquelas visões, estavam o deixando paranoico.

Mesmo com as manifestações contrárias ao seu pensamento, Derek explica ao colega que tinha a sensação que um dia iria encontrar a tal garota, por que aqueles sonhos e as visões eram muito reais para ele e que talvez as férias ajudassem a refletir melhor.

Eles param no primeiro endereço. Despacham com um cliente sua primeira entrega; que seriam duas caixas e passam a prancheta e a caneta a ele;

_Bom dia! Assine aqui, por favor, Senhor Willians!

_E aí Ferris como vai? Já estou sabendo que amanhã começa suas férias! Vai visitar seus pais?

_É! Como todo ano faço! É o tempo que tenho, já que raramente eles me visitam! Tenha um bom dia Senhor Willians!

E o senhor Willians também se despede; _Você também Ferris!

Durante o curso, Paul lembra ao amigo, que ele e Nick programaram uma noite de despedida para ele, e esperava que o amigo se divertisse como nos velhos tempos. Então Derek ri desconfiado;

_Ta rindo de que? Vai ser bom pra você! E nem precisa sair com ninguém se não quiser. Bebemos um pouco, dai vamos pra casa. Certo amigão!

_Cara! Até parece que não vou voltar mais! Mas se vocês insistem, vamos nessa! E eles seguem o trajeto

 

A noite na boate...

 

Naquele sábado à noite reuniram-se os três amigos numa boate de streeper para comemorar o último dia de trabalho de Derek. Sentaram no sofá em corvino vermelho beberam vodca, uísque e algumas cervejas. Uma bela de uma mulher de tanga fio dental, com decotes avantajados, traz um balde com gelo e algumas cervejas para os rapazes. À noite mais do que descontraída, vira uma nostálgica folia, com músicas, mulheres se despindo no palco e muito mais. Aproveitando o momento, Paul coloca umas notas na cintura da dançarina, depois volta para o sofá, onde estavam seus amigos; rodeados de belas e ousadas mulheres. Apesar de elas estarem como pingentes em pulseiras e correntes adornando os pescoços dos festivos rapazes, o assunto ressurgia em meio as insinuantes escorregadas das mãos de Nick, que apalpava os seios de uma ruiva sentada em seu colo;

_Olha só Derek! Isso sim é real!  Se vou ter que ejacular que seja ao vivo e não sonhando com alguém; e acordando com minha cueca enlambuzada!   

E mesmo com o descaso do amigo que responde a breve ironia com uma falsa gargalhada sínica, inclina-se para pegar no balde de gelo outra longnec.

Entre uma dose de bebida e outra de bom humor, a morena que sentou entre Paul e Derek, olha para Brant e pergunta;

_O que há com seu amigo? Ele é tímido ou é casado?

_Nenhum dos dois! Ele é padre! Ha ha ha! Brincadeira.

_Aí!... Não da bola pra eles não! São dois babacas! Comenta Derek Ferris ao ouvir a piada do amigo com a morena de lábios vermelhos e sensuais. Que depois se aproxima de Ferris e troca uns carinhos, alisando sua perna.

Assim acabou sendo a noite que ameaçara se estender pela madrugada, porém, interrompida quando o já ‘não tão jovem’ galante decide ir descansar. E antes de se levantar, avisa aos amigos que vai ter que acordar mais cedo para comprar uns presentes e levar aos pais na sua viagem, que aconteceria naquele domingo à noite:

_Tem que ir mesmo? Pergunta Paul;

_Sim! Eu quero aproveitar passar naquela feira de antiguidades pela manhã, ver se encontro alguma coisa para meu pai. Eu já lhe falei do seu gosto por antiguidades;

Lembrou-o que sim e que ele era um cara muito “gente boa” segundo as palavras de Paul;

_E aí! Você disse qualquer coisa de ir comigo até lá! Mas se não der, sem problemas.

_Não! Tranquilo! Eu acho que daqui alguns minutos eu também já vou! E você sabe. Minha irmã vai pegar no meu pé! já viu como é que é né! Só me ligar e me chamar em casa!

E despedindo-se dos companheiros e colegas, Nick e Paul; ele sai abraçado com a morena ignorando as piadinhas dos colegas;

_Vai lá parceiro! Esta morena vai ser um remédio para teus pesadelos! (risos)    

Saindo da boate, Derek decide passar a noite num pequeno motel ali pelas redondezas. E claro! Levando à morena com ele.

Três horas depois de uma “transa” e um curto período de sono obviamente, já que teria o outro compromisso pela manhã. O sol já se fazia radiante perto das 8hs30 Ferris se levanta torcendo a cara, por conta do gosto da bebida ainda em sua boca, em virtude das horas anteriores. Vai para dentro do banheiro, toma um banho. Após a ducha, se enxuga, coloca a roupa e após fechar os botões da camisa, pega seu celular e relógio da mesa de cabeceira, abre sua carteira e retira algumas notas; colocando na outra mesa ao lado esquerdo de onde estava a garota com quem tinha passado a noite, que se encontrava nua, dormindo, emaranhada ao lençol.   

Em seguida deixa o motel. Da uma rápida passada em casa troca de roupas liga para o amigo depois de passar num bar, tomar um café e segue para casa de Paul uma hora depois.

Paul que morava com sua irmã e cunhado Nancy e Peet demorou acordar, mas Nancy fez questão de chamá-lo ao seu estilo, puxando o lençol sobre ele;

_Levanta seu beberrão! Seu amigo já ligou várias vezes e já está lhe esperando lá fora!

Sem delongas, ele levanta, tomara um rápido banho para despertar o sono e o porre da noite anterior e em meia hora estava vestido e sai embarcando na pick-up; ainda ressaqueado;

_E ai quer desistir? Fica ai que eu vou só! Comenta Derek.

_Não! Estou de boa! Só toca para frente e se você encontrar uma farmácia aberta estaciona, para eu tomar um analgésico, que tô morrendo de dor de cabeça!

Seriam oito quilômetros dali para chegar a tal feira de antiguidades, que acontecia praticamente todos os domingos. Na zona sul de São Francisco. E como citado por Ferris antes. O pai fazia coleções de coisas antigas e que haveria tomado a iniciativa por indicação do outro colega de trabalho, para que fizesse uma visita à famosa feira. Caso ele tivesse intenção de comprar algo do qual goste e levasse de  presente aos pais.

Depois de passar na farmácia, depois no posto e pegar um café para o amigo, rumam pela avenida. Menos de doze minutos, chegam enfim a feira livre.

Enquanto escolhe algo em meio a tantas barraquinhas, Paul inicia uma conversa sobre os pais de Derek;

_Cara por que seus pais gostam tantas destas coisas? Seu pai até entendo que é bem mais velho que ela, mas sua mãe! Isso é o que? Vontade de viver no passado!

_Acho difícil de explicar! Talvez tenha a ver com os meus avós. Meu pai perdeu os pais cedo e minha mãe também. Não tiveram irmãos e talvez isso fez com que se identificassem e assim unindo os dois. As coleções do meu pai transformaram em fonte de distração para eles;

_Deve ser bem esquisito crescer sem avós, sem tios sem sobrinhos! Eu moro com a minha irmã mais velha e meu cunhado você sabe. Tenho um sobrinho de sete anos, meus pais moram na Carolina do Norte. Os vejo quando dá e a vida que segue.

 _Por isso chamamos de família! Nossos pais se apaixonam e de repente, cá estamos nós;

_Eu não consigo entender foi sua mãe se apaixonar por um homem muito mais velho que ela! Ele podia ser o seu avô!

Ferris conta que o amor é inexplicável. Segundo sua mãe, ela havia ficado órfã aos 12 anos de seus avós e seu pai trabalhava como motorista dos pais dela, que com o falecimento deles, acabou virando tutor legal de sua mãe. Toben seu pai também tinha outras tarefas na casa e por estarem muitos anos na família era tido como mais do que um empregado. Tanto que no testamento deixado pelos patrões e avós de Ferris, seu pai também foi beneficiário. Esta foi a principal razão dela ficar na casa aos cuidados do então empregado. Tendo o consentimento do juizado de menores e não precisar ir para um orfanato. Sendo assim a garota havia crescido acabou se apaixonando pelo homem que a adotou, casando-se com ele e do relacionamento Derek nasceu;

_Cara isso é bizarro! Se o Juiz soubesse disto, não deixaria jamais ele cuidar de sua mãe. Ela era apenas uma menina e seu pai tem o que? Trinta anos a mais que ela?

_Trinta e dois na verdade e a minha mãe já estava adulta. E foi ela que se declarou para ele! Vamos logo achar os presentes que eu quero fazer as malas ainda hoje para San Diego.

Os dois circulam em meio às barraquinhas que tem acessórios, que vão desde relógios antigos a chapeis. Os dois se divertem um pouco e Paul coloca um chapéu na Cabeça de Ferris estilo aquele que Chaplin usava no filme “O Vagabundo” (The Trump- 1915). Ele aproveita pega uma bengala de outra banca e faz os passinhos, girando num dos braços como no filme. Depois é a vez de Ferris que coloca uma capa nas costas de Paul e encontra uma espada e um escudo colocando em suas mãos e os dois caem na gargalhada.

Nenhum dos dois havia visitado aquela parte da cidade no domingo, eles acharam muito interessante! A feira continha coisas variáveis que qualquer colecionador ficaria encantado! Mas havia também acessórios de estilos e épocas diferentes ou baseadas nestas épocas propositalmente, com intenção de compor um traje ou até mesmo uma fantasia que levaria a combinar com qualquer coisa moderna e elegante, como as próprias semijoias de um período qualquer. E ali certamente Ferris encontraria algo para sua mãe.

Em meio a tantas barraquinhas e bancas ao ar livre. Em se tratando de encanto, ao fundo bem perto da calçada, quase saindo para rua, um furgão colorido com um letreiro escrito, “Discos Antigos”. Alguém fez chamar a atenção dos rapazes. Uma bela moça aparentemente já recolhendo sua mercadoria na traseira do veículo para ir embora. Possivelmente fazia parte de uma loja de discos e CDs antigos ambulante;

_Ei! Olha lá!

Derek se vira no momento em que Paul sinaliza com a Cabeça.

_Boa ideia! Discos... Meu pai adora discos antigos! Sabia que ele tem uma vitrola?  Desde os anos set...

_Cara eu não estou falando de discos! Exclama Paul. _É a garota!

Comenta. Admirando a garota “trajadamente” sexy. Vestindo camiseta, colete e shorts jeans curtinho. A camiseta branca decotada; tinha em sua estampa, aquela tradicional “boca grande” com uma língua de fora, como num clássico álbum dos “Rolling Stones”. E Paul ainda comenta, enquanto O amigo fica observando em passos curtos e lentos indo em direção ao furgão;

_Ela é bonita; e tem seus olhos! Se eu não lhe conhecesse podia jurar que ela seria sua irmã! Daí eu seria seu cunhado com certeza!

_A cala boca cara! Vamos ver os discos!

Ao aproximar-se da banca, os amigos começam a vasculhar alguns vinis entre a pilha, dentro de uma das caixas que estava ainda em cima dela. Enquanto a garota encaixotava outros tantos na traseira do furgão. Ela se curvava para afastar uma caixa da outra com uma das pernas dobradas na beira da traseira do veículo, fazendo com que seu short encurtasse ainda mais, enquanto Paul; observava suas nádegas. Cutucando com o cotovelo os braços do amigo, apontado para o que ele via. Ferris olha rapidamente e devolvia com um tapa em sua cabeça. Mesmo estando de costas, a garota conversa com os rapazes, que insistiam em procurar algo que viesse os agradar, ou tivesse a ver com o presente que Ferris pretendia dar aos pais. E ainda permanecendo de costas a moça pergunta;

_O que estão olhando? Neste instante ela para o que estava fazendo e encara sério os dois amigos e Ferris imediatamente responde;

_Eu! Nada não!

_Nem eu! Responde Paul!

_O que vocês estão procurando é o que eu quis dizer? Tenho mais aqui dentro.

 _Ah! Sim! Você tem muitas raridades aqui! Comenta Ferris, olhando dos dois lados de um Long Play do Creedence Cleater Revival.

_Esta é caixa com vinis só dos anos 70. Se vocês me disserem o tema e a banda eu posso ver o ano.

_Poxa! Você deve ter pesquisado muita coisa sobre musica! Exclama Paul;

 _Na verdade vem de família mesmo! E ai rapazes! Estão procurando o que? Não me levem a mal. Estou com um pouquinho de pressa, preciso sair mais cedo.

_  Tem outros títulos entre sessenta e setenta? Pergunta Derek;

_É ainda tenho alguns títulos! Mas tá ficando difícil adquirir! O que procura exatamente?

_Sei lá! Você teria “The Platters”?

A garota confirma com a cabeça. Vira-se; e vai ao furgão; _Platters! Deixa-me ver aqui! Procurando na pilha mexendo um a um; _Tenho um exemplar aqui! Difícil parecer quem os compre, geralmente são pessoas acima dos sessenta anos, que buscam estes mais antigos.

Então retira o raríssimo exemplar, ainda com o plástico e com o mesmo olhar expressivo e semblante séptico, apesar de ser bonita; ela estende os braços com o disco na mão;

_Eu vou presentear meu pai!

A bela moça de olhos claros, cabelos castanhos escuros, para olha para o rosto de Derek. Observando-o com aquele olhar de análise. Sem parar de encará-lo, achando-o familiar a alguém;

_Vem cá! Já não nos vimos antes?

_Não! Acredito que não! É a primeira vez que venho para estes lados, mas meu amigo disse que você parece bem familiar!

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