Canil?
Ele tinha mandado Camila para um canil?
Camila tinha pavor de cães!
Isabela se levantou do chão com os dentes cerrados e saiu correndo do hospital sem olhar para trás.
Vendo Daniel deixar Camila ir com tanta facilidade, Lívia ficou ressentida.
— Daniel, no fundo Isabela ainda é a pessoa mais importante para você, não é? Se não fosse por ela, a amiga dela também não teria coragem de me tratar daquele jeito...
— Eu sei.
Daniel acariciou os cabelos compridos de Lívia.
— Eu vou fazer justiça por você.
— Quando Isabela chegar ao canil, também não vai ser tão fácil salvar a amiga.
Lívia entendeu na mesma hora.
Daniel também queria punir Isabela.
Fingindo preocupação, perguntou:
— Se você fizer isso com Isabela, ela não vai ficar muito magoada?
Daniel parecia distraído.
— Então eu mando alguém impedir que ela vá?
Lívia bateu de leve no peito dele, manhosa.
— Para!
Daniel a abraçou e sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos.
Na verdade, ele não queria punir Isabela.
Só não queria que Lívia sofresse de novo.
Se ela realmente se machucasse, depois ele faria de tudo para compensar Isabela.
Só queria que ela entendesse que havia limites para tudo.
Canil.
Quando Isabela chegou, Camila estava encolhida dentro de uma jaula, à beira da morte.
Do lado de fora, três cães de guarda enormes a encaravam fixamente.
Eles também estavam há muito tempo sem comer. A saliva escorria pelos dentes afiados enquanto rondavam a jaula, inquietos.
Camila já estava à beira do colapso.
Fazia dois dias que não comia nem bebia, e seus nervos tinham ficado em alerta o tempo inteiro. Ela mal conseguia aguentar.
— Camila!
Isabela se aproximou chorando.
Assim que deu um passo à frente, os cães voltaram os olhos para ela, como se fossem atacar a qualquer momento.
Ela sabia que não podia simplesmente avançar. Se fizesse isso, poderia morrer ali.
— Camila, aguenta firme! Vou comprar carne por perto para tirar esses cães daqui! Você precisa aguentar!
Camila usou o resto de suas forças para estender a mão.
— Não vai... Isabela... eu vou morrer...
— Você não vai morrer! Camila! Eu não vou deixar você morrer!
Ver Camila daquele jeito quase despedaçou Isabela por dentro.
Com os olhos vermelhos, ela pegou um pedaço de madeira no chão, cerrou os dentes e correu em direção aos cães.
Os três avançaram.
Isabela ergueu o pedaço de madeira e lutou contra eles.
Logo, seus braços e pernas ficaram cobertos por cortes feitos pelas garras. A dor era lancinante.
Mesmo assim, ela não parou.
Conseguiu chegar até a porta da jaula, pegou a chave e abriu o cadeado.
— Camila, vamos sair daqui!
Isabela puxou a amiga sem forças e correu em direção ao portão do canil.
As duas tropeçaram várias vezes até finalmente chegarem à saída.
Só então descobriram que, em algum momento, o portão tinha sido trancado pelo lado de fora.
Por mais força que Isabela fizesse, não conseguia abrir o portão.
— Abram! Quem está aí fora? Daniel! Abra o portão! Por favor, abra!
Isabela puxava o portão com toda a força e gritava quase em desespero.
Do lado de fora, ouviu a voz fria de um segurança.
— Desculpe, senhora. Foi ordem do senhor. Aguente mais um pouco.
Ordem de Daniel!
A mão de Isabela apertou cada vez mais o pedaço de madeira.
Um lampejo de ódio surgiu em seus olhos.
Ela nunca imaginou que Daniel pudesse ser tão cruel.
Atrás delas, os três cães avançaram com os olhos ferozes.
Isabela ergueu o pedaço de madeira para se defender, mas Camila reuniu todas as forças do corpo e a empurrou para o lado.
No segundo seguinte, o cão da frente saltou e cravou os dentes no braço direito de Camila.
— Ah!
O braço direito de Camila foi arrancado à força.
O sangue jorrou imediatamente.
Seu corpo se contorceu de dor antes de cair pesadamente no chão.
Ao ver a cena, Isabela ficou completamente pálida.
— Camila!
Ela correu até Camila, a abraçou com força e começou a chorar sem parar.
— Por que você fez isso? Por que foi tão idiota?
Os cães se preparavam para rasgar o braço arrancado.
Isabela, enlouquecida, correu com o pedaço de madeira e conseguiu recuperar o membro da boca deles.
Quando já estava quase sem esperança, o portão do canil se abriu.
Ela puxou Camila para fora.
— Camila, não tenha medo. Vamos para o hospital agora. Eu não vou deixar nada acontecer com você!
Foram nove horas tentando salvar Camila.
Ela sobreviveu.
Mas o braço não pôde ser reimplantado.
Isabela ficou sentada no corredor do hospital, imóvel.
Ao amanhecer do dia seguinte, seu celular vibrou quatro vezes.
A primeira mensagem era do advogado que cuidava do divórcio. A certidão já tinha saído.
A segunda era daquele homem.
"Estou esperando você na porta do cartório."
A terceira era de Daniel.
"Isabela, volte cedo para casa hoje. Tenho uma surpresa para você."
A quarta veio de um número desconhecido.
"Sra. Isabela, Daniel nem assistiu ao vídeo que você mandou. Apagou sem ver. Sabe por quê? Porque ele acredita em mim, não em você!"
"E fiquei sabendo que sua melhor amiga perdeu um braço. Que tragédia."
Os dedos de Isabela apertaram o celular.
Ela não respondeu a nenhuma mensagem e se levantou para sair do hospital.
Na porta do cartório, recebeu a certidão de divórcio das mãos do advogado.
Em seguida, com a certidão ainda consigo, entrou no cartório ao lado daquele homem para registrar um novo casamento.
Do início ao fim, Isabela não demonstrou nenhuma emoção.
O homem ao seu lado curvou os lábios.
— Você não parece muito disposta a se casar comigo. Se arrependeu?
Sob a luz do sol, Isabela ergueu a cabeça.
Encarou o homem e disse, palavra por palavra:
— Gabriel, me ajude a me vingar. Quero que Daniel e Lívia paguem com sangue pelo que fizeram!