O barulho da porta anunciando a chegada de Lara foi diferente naquele fim de tarde.
Não era o cansaço normal de quem trabalhou oito horas servindo mesa, aguentando cliente mal-educado e pé dolorido. Era outra coisa. Um peso invisível, uma tensão nos ombros, um modo de evitar meu olhar que me deixou imediatamente alerta.
Ela pendurou a bolsa no gancho da entrada com movimentos lentos, como se cada gesto exigisse um esforço consciente, e seus olhos vagaram pela sala antes de encontrarem os meus.