Uma hora depois, o avião pousou.
No caminho do aeroporto até o hotel, Thiago e eu não trocamos uma única palavra.
Desde pegar as malas e fazer o check-in até almoçar, resolvi tudo sozinha.
Thiago dizia que tinha ido para me acompanhar, mas, na prática, passou o tempo todo com Olívia.
Pensei que talvez fosse melhor assim.
Afinal, eu ainda tinha aquela IA.
Ela tinha organizado direitinho tudo o que eu faria nos próximos dias e até montado uma planilha com o roteiro da viagem.
Eu estava olhando para a tela quando, de repente, alguém tirou meu celular da minha mão.
Levantei a cabeça e vi Olívia sorrindo enquanto mexia no aparelho.
— Seu roteiro está superdetalhado. Foi o Thiago que organizou tudo para você, né?
Franzi a testa e estendi a mão para pegar o celular de volta.
Mas Thiago já tinha tirado o aparelho das mãos de Olívia.
Ele passou os olhos pela tela e também franziu a testa.
— Não fui eu que fiz isso.
Depois, levantou os olhos para mim.
— Você nunca teve paciência para organizar esse tipo de coisa. Quem fez isso para você?
Peguei meu celular de volta, sem dar importância à inquietação que passou rapidamente pelo olhar dele.
— Isso não tem nada a ver com você. Mas pegar o celular dos outros e ficar olhando coisas privadas sem permissão é normal para vocês?
Eu não estava tentando atacar ninguém de propósito.
Só que, depois de tudo o que tinha acontecido desde que saímos de casa, qualquer pessoa estaria de mau humor.
Olívia, porém, recuou dois passos como se eu tivesse magoado ela profundamente.
Seus olhos logo ficaram vermelhos.
— Vocês não gostam que eu fique com vocês, né? Faz sentido. Quem tira notas boas, claro, só quer ficar perto de gente que também tira notas boas. Alguém como eu, que sempre foi mal nos estudos, nem devia ter vindo.
Ela passou a mão pelos olhos e se virou, pronta para ir embora.
Thiago imediatamente segurou ela.
Quando voltou a olhar para mim, seu rosto já estava fechado.
— Você não acha que está exagerando? É só um roteiro. Precisa mesmo fazer tanto caso?
Olhei para os dois diante de mim e, de repente, percebi que Olívia tinha acertado em uma coisa.
— Precisa. Mesmo sendo só um roteiro, alguém preparou tudo com cuidado para mim. Eu vou passear sozinha. Vocês façam o que quiserem.
Peguei minhas coisas e passei por Thiago.
Desde o começo, eu já tinha planejado fazer aquela viagem sozinha.
Além disso, Thiago tinha razão em uma coisa.
Eu realmente precisava aprender a resolver meus próprios assuntos.
Então segui por cerca de uma hora o trajeto indicado pela IA e realmente consegui chegar à praia.
O mar era lindo.
Enquanto contemplava aquela imensidão diante de mim, de repente me lembrei da primeira vez em que tive vontade de ver o mar.
Naquela época, senti um perfume bem suave em Thiago e perguntei que cheiro era aquele.
Ele fez uma expressão séria de propósito, embora as orelhas tivessem ficado discretamente vermelhas.
— É cheiro de brisa do mar. Depois da formatura, quer ir ver o mar comigo?
Na época, fiquei feliz por muito tempo por causa daquela promessa.
Mas agora, quem realmente tinha vindo até a praia como combinado era apenas eu.
Sem pensar muito, tirei uma foto e mandei para a IA.
A resposta chegou quase no mesmo instante.
[Vire para trás.]
Naquele momento, meu coração pareceu querer saltar para fora do peito.
Eu me virei de repente.
Mas, antes que pudesse ver qualquer outra coisa, duas pessoas bloquearam minha visão.
Thiago e Olívia.
Me levantei imediatamente, ansiosa para olhar atrás deles.
Mas não havia ninguém ali.