No avião, Thiago ficou sentado entre mim e Olívia.
Antes, eu era quem ficava o tempo todo conversando com ele.
Agora, esse papel tinha ficado com Olívia.
Fiquei quieta no meu lugar, conversando de vez em quando com a IA.
[Você realmente vai aparecer?]
[Se você quiser, eu vou aparecer.]
Ao ler aquela resposta, meu coração acelerou sem motivo, e senti o rosto ficar quente.
De repente, ouvi a voz de Thiago ao meu lado.
— Por que seu rosto está tão vermelho? Não vai me dizer que está com febre de novo. Que saco...
Enquanto falava, ele abaixou a cabeça e começou a procurar alguma coisa na bolsa.
Só depois de remexer um pouco percebeu que, dessa vez, nem tinha colocado ali os remédios que antes sempre levava para mim.
— Não precisa procurar. Eu não estou com febre. E, de agora em diante, você também não precisa mais carregar essas coisas por minha causa.
Thiago pareceu querer dizer alguma coisa, mas, naquele momento, Olívia acabou derramando a bebida nas próprias pernas sem querer.
Vi Thiago pegar alguns lenços de papel e limpar as manchas com toda a paciência, sem reclamar uma única vez.
Os dois pareciam formar um belo casal.
De repente, Olívia virou para mim.
— Thiago também cuidava de você assim antes, né? Agora que estou sentada entre vocês dois, parece até que quem está sobrando sou eu.
Eu realmente não entendia como ela sempre conseguia deixar o clima tão constrangedor.
Apenas sorri, sem responder, e me levantei para ir ao banheiro.
Foi justamente nesse momento que o avião entrou de repente em uma área de turbulência.
Perdi o equilíbrio e caí para trás.
Um zumbido forte tomou conta dos meus ouvidos.
Quando achei que fosse acabar no chão, duas mãos firmes seguraram meu corpo por trás e me ajudaram a recuperar o equilíbrio.
Naquele instante, as palavras da IA vieram à minha mente.
"Eu sempre vou estar aqui. Não vou me esconder nem ir embora. Quando você precisar, eu vou estar aqui para amparar você."
Virei a cabeça imediatamente.
Mas quem apareceu diante dos meus olhos foi um senhor de uns cinquenta anos, com o topo da cabeça já calvo.
— Tome cuidado.
Fiquei tão constrangida que nem soube o que dizer.
Assim que consegui me firmar, agradeci depressa:
— Obrigada. Muito obrigada.
No segundo seguinte, Thiago segurou meu pulso.
Ele me levou até um canto da cabine, com uma expressão péssima.
— Você já não é mais criança. Ainda precisa fazer esse tipo de coisa só para chamar atenção?
Eu ainda nem tinha me recuperado do constrangimento de antes e já precisava ouvir aquela acusação.
Meu peito ficou ainda mais apertado.
— Do que você está falando?
Ele não parecia nem um pouco preocupado com o fato de eu quase ter caído.
Ele continuava sério.
— Você pode parar com isso? Sem mim, você realmente não consegue fazer nada sozinha?
Se ele tinha chegado ao ponto de falar comigo daquele jeito, então devia estar realmente cansado de mim.
Respirei fundo pelo nariz e respondi em voz baixa:
— Entendi.
Depois, me virei e entrei no banheiro.
Fiquei ali, trancada e em silêncio, durante dez minutos.
Até que finalmente entendi uma coisa.
Eu nunca mais iria gostar de Thiago.