Capítulo 3.1

Depois de muito analisar a porta de entrada finalmente aperto a campainha esperando alguém atender.

Samuel aparece na porta sem camisa, com os cabelos bagunçados, olhos vermelhos e inchados com uma expressão emburrada.

Ao me ver, abre um lindo sorrir esfregando uma mão no olho.

— Minha linda menina. — Antes que eu possa dizer algo Samuel envolve seus braços envolta da minha cintura em um abraço apertado esfregando o rosto em meu pescoço me enviando um arrepio de medo por todo o corpo.

Procuro não demonstrar a aflição que percorre meu corpo me forçando a aceitar seu toque e retribuo seu abraço com carinho, mas logo me desvencilho de seu aperto sem que ele perceba minha aversão por contatos tão diretos e íntimos.

 Com ele meus medos são quase nulos, mas contatos muito diretos me afligem um pouco. 

— O que aconteceu com você Sam? — pergunto preocupada. — Não atendeu minhas ligações o dia todo. 

— Entre. — Ele abre passagem para mim.

Entro em sua casa e me surpreendo com a decoração, é tudo tão rústico e sério, tudo tão parecido com ele.

O chão de cimento queimado cinza combina com um par de sofá de couro preto no centro da sala, uma enorme televisão se destaca na parede de tijolos vermelha e a mesinha de centro contém alguns livros espalhados. No canto uma estante escura reserva vários livros de advocacia e alguns romances conhecido, me surpreendo com o violão encostado ao lado do sofá, esquecido naquele espaço, alguns vasos de flores quebram a seriedade do local e uma cortina branca esconde a grande janela de vidro que dá para o jardim da entrada. Sorrio ao ver o quão organizado ele era.

— Eu não queria te atrapalhar. — Encolho os ombros envergonha. — Mas estava preocupada.

Ainda em silêncio ele fica parado ao lado da porta de entrada me encarando por longos e pesados segundos. Seus olhos vermelhos e cansados não estão normais e isso só me preocupa ainda mais.

— Você está bem? — Caminho em sua direção passando a mão por sua face e ele fecha os olhos se entregando ao meu contado.  

— Na verdade não. — Sua voz magoada faz meu peito se apertar.

— O que está acontecendo? — questiono na tentativa de ajudá-lo.

— Sente-se por favor. — Ele indica o sofá e sigo até lá me sentando.

Samuel pega uma camiseta que estava sobre a poltrona e somente agora foco minha atenção em seu corpo. Mordo os lábios ao analisar todos os seus músculos bem definidos e encaro seu abdômen bem malhado que exibe todos os quadradinhos em perfeito estado, mais do que deveria. Ele coloca a camiseta quebrando meus pensamentos e percebo que estou mordendo os lábios ao ver tamanha beleza em um só corpo.

Como ele consegue ser tão lindos? Eu também não sei, mas é um pecado tamanha beleza reunida em um só homem.

Samuel com certeza passou na fila da perfeição milhares de vezes.

Ele se senta ao meu lado pensativo e isso me deixa apreensiva.

— Você não está feliz com nosso relacionamento? — acabo perguntando preocupada.

— Não. — Ele sorri negando. — Ter você ao meu lado é tudo o que sempre quis Katy, nunca duvide disso por favor — ele afirma, segurando minha mão com carinho.

— Eu nunca duvidei, só estou preocupada com você. Ultimamente você está distante e tão quieto. Você nunca ignorou uma ligação minha antes e hoje, bom, você nem respondeu minhas mensagens. — Encolho os ombros não querendo ser invasiva.

— Peço perdão por preocupar você, eu estava tão irritado e frustrado, não queria correr o risco de descontar essa frustração em você. — Seu dedo toca suavemente minha bochecha levando alguns fios de cabelos soltar atrás da minha orelha. — Eu não sei como começar a contar, não sei como expor o que está acontecendo.

— Eu sei como é difícil colocarmos nossos medos para fora, mas isso está te machucando Sam. — Apoio minha mão sobre a sua e ele desvia o olhar para nossas mãos.

— Eu não queria me envolver novamente, não queria ter que mexer no passado Katy. Meu pai. — Ele sorri com ironia. — Tudo isso é culpa dele.

— Você não se dá bem com seus familiares? — pergunto surpresa, e ele nega abalado. 

— Minha mãe está morrendo. — Solta aquelas pesadas palavras me pegando desprevenida.

Arregalo os olhos o observando sem saber ao certo o que dizer e como ajudar em um momento tão complicado e complexo.

— O Sam... você foi visitá-la hoje? — Aperto sua mão vendo a dor explicita em seus olhos.

— Não posso visitá-la. — Ele engole em seco e mesmo que tente segurar as lágrimas algumas rolam por sua face.

Meu peito se aperta e deslizo a mão por seu rosto enxugando suas lágrimas com o polegar. 

— Por que não?

— Porque meu pai não me aceita mais como filho Katy. Sempre evitei falar da minha família porque na verdade não tenho uma família, sou sozinho. — Seus olhos azuis mostram toda a dor que ele guarda dentro do peito.

Comovida com sua história já me sinto pronta para cravar uma imensa batalha contra o velho que Samuel chama de pai.

— Nós vamos visitar sua mãe — digo certa de que ele verá a mãe.

Surpreso me encara sem palavras.

— O que foi? — Olho para ele sem entender o porquê está me encarando tão surpreso.

— Você não entende Katy. — Ele sorri fazendo com que eu abaixe minha guarda. — Enfrentar meu pai não é tão simples como parece. Eu fiz minhas escolhas e hoje elas pesam sobre mim. 

— Sam, eu entendo que você fez suas escolhas, na verdade, não sei o que te levou a isso ou porque seu pai não te aceita mais como filho, mas sua mãe está partindo e você precisa se despedir dela. Você está sofrendo e sente falta dela, se não for visitá-la agora levará essa culpa e essa dor para o resto da sua vida. 

— Meu pai é Bennett Hugh, Katy.

Olho para ele boquiaberta sem acreditar no que estou ouvindo e não consigo conter a surpresa e susto ao ouvir aquilo.

— Você é um Hugh? Da corporação de entendimento, jogos e tudo mais?  — Sinto meu sangue se esvair ao descobrir isso.

— Risquei esse nome da minha vida e agora só levo o da minha mãe, então sou um Rizzon — diz convicto.

— Meu Deus. — Levo a mão a testa processando aquela informação. — Você é filho legítimo de Bennett Hugh. — Não consigo conter meu desespero e surpresa.

É impossível.

Como? Como Samuel poderia ser filho de um dos maiores homens do mundo. Porque dizer do país seria humildade demais, afinal tudo que envolve os mais novos e impressionantes gráficos digitais sai daquela corporação.

— Eu não queria te assustar. — Ele passa as mãos pelos cabelos demonstrando nervosismo e culpa. –Mas na verdade, legalmente eu sou o herdeiro de Bennett.

Assinto ainda tentando processar aquela informação absurda e ele me joga outra bomba sem nem ao menos esperar meu coração se recuperar da primeira.

— Eu avisei que era complicado. — Ele encolhe os ombros olhando para baixo.

— Sam é impossível não ficar supressa ao saber que você é filho e herdeiro de Bennett Hugh, mas ele não pode te impedir de visitar sua mãe que está doente — afirmo.

— Ele necessariamente não está impedindo que eu vá no hospital, não sou bem vindo em casa e a tantos anos não visito meus pais que perdi as contas. Eu simplesmente não quero encontrá-lo novamente Katy, ele me humilhou tanto no passado e vê-lo outra vez só irá gerar brigas e discórdia, mas minha mãe não merece tudo isso — diz visivelmente cansado.

— Explique o que aconteceu por favor — peço, tentando entender aquela história. — Quero entender porque você não é bem vinda em sua casa, afinal, você é um homem honrado, que lutou arduamente para chegar onde está, não vejo erros ou problemas com você — falo com sinceridade.

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