– HENRIQUE
A luz fraca do final de tarde que entrava pelas cortinas do escritório parecia deixar o ambiente ainda mais pesado. Eu observava a minha filha andar de um lado para o outro como um animal enjaulado, as mãos trêmulas, o olhar desprovido de qualquer traço de lucidez.
Bettina havia ultrapassado todos os limites aceitáveis para a razão humana.
— O Giorgio é meu! Ele é meu, pai! — ela gritava, a voz estridente cortando o silêncio da casa enquanto cravava as unhas na própria palma da mão.