Louca Paixão
Louca Paixão
Por: Ninha Cardoso
Capítulo Um - 1

Parte 1...

O dia até estava fresco e ventava lá fora. Pela grande parede de vidro dava para ver a rua lá embaixo, onde os galhos das árvores balançavam de um lado para outro. Ali dentro da sala o ar-condicionado deixava a sala na temperatura ideal.

Mas o cabeça de tudo, o chefe maior, Lorenzo Salvattore, deixava as pessoas em volta da grande mesa de madeira mogno com um arrepio de frio. Seu olhar gélido passou de um por um, aguardando por explicações que justificassem os erros que ele havia encontrado na planilha mensal de lucros da empresa.

Sentado em sua cadeira alta e confortável, ele fingia estar calmo. Mantinha no rosto um leve sorriso, quase que relaxado, enquanto ouvia as explicações sobre os últimos eventos que haviam chegado até ele.

Para os presentes em volta, aqueles minutos esperando enquanto ele lia os documentos abertos à sua frente, estava se tornando quase que uma tortura. Cada um ali sabia que ia levar sua parte de culpa nesse processo.

Lorenzo cuidava dos negócios da família desde que tinha vinte e cinco anos. Suas ideias só fizeram aumentar e melhorar o patrimônio da família e de seus sócios. Ele mesmo tinha sua própria fortuna, o que o deixava com uma grande responsabilidade nas mãos. Cada atitude dele tinha uma consequência e por isso mesmo ele não podia aceitar erros.

Fossem erros inocentes ou feitos de má intenção. De ambas as formas era necessário muito cuidado. E além de seus interesses particulares, ele tinha que cuidar de todos que compunham as empresas. Do sócio majoritário ao rapaz que entregava o café.

Todos eram importantes para o bom andamento das empresas e também por isso ele tinha que valorizar seus esforços. Se por acaso ele cometesse um erro que viesse a causar um problema aos sócios, também causaria aos empregados abaixo. Todo mundo iria perder.

E uma coisa que o aborrecia muito era gente incompetente. E infelizmente, um dos culpados pelo erro atual era o abusado de seu irmão mais novo, Gutto.

E Gutto não era apenas incompetente. Ele era mau caráter também. E preguiçoso. Juntando tudo isso era um perigo manter ali uma pessoa assim. E ele já havia dito isso aos pais, que desde sempre apoiaram tudo o que o irmão mais novo fazia, deixando para ele a responsabilidade de resolver seus problemas, mas agora ele tinha passado do limite.

Bateu os dedos em cima da mesa, olhando para a pasta aberta, lendo pela terceira vez o relatório final que tinha recebido de um de seus assistentes. E não era nada agradável.

Por sua vontade ele explodiria ali mesmo e jogava tudo no ventilador, para espalhar a merda em cima dos responsáveis. Havia ali um golpe em andamento contra seus interesses e de sua família. Agora novamente ele teria que contornar e resolver mais esse pepino.

E o pior que ele tinha visto, é que o erro era tão fácil de ser descoberto, que só mesmo uma mente pequena e incompetente seria capaz de achar que nunca seria descoberto. Um adolescente na aula de matemática teria descoberto aquilo. Chegou a respirar fundo enquanto olhava os números no papel.

E mesmo com outros nomes relacionados ali no relatório, ele sabia que havia um mentor e grande culpado por aquelas ações. E tudo rodava e voltava para um nome. Por mais que ele quisesse puxar para outro lado, de novo, era isso.

Gutto Salvattore.

E não podia haver perdão agora para mais esse comportamento, ainda que seus pais ficassem contra ele. Dessa vez ele tinha que agir contra o irmão e de uma vez por todas dar um jeito de afastar Gutto das empresas. Não dava mais para alisar.

Ele praguejou entre dentes. Gutto só estava ali por causa de seu sobrenome e do modo como seus pais o tratavam como uma criança inocente e que tudo o que fazia era sem querer. Não era.

Ergueu os olhos e viu as caras de preocupação à sua volta, aguardando suas ações. Ele se ajeitou na cadeira e mexeu a cabeça, movendo o pescoço para diminuir a pressão.

— Onde está meu irmão?

Sua voz forte e cheia de crítica fez as pessoas olharem de um para outro, esperando que alguém respondesse. Uma das funcionárias respondeu, meio temerosa.

— Nós o avisamos da reunião, senhor Salvattore.

— E porque diabos ele não está aqui?

Ela ergueu as sobrancelhas e apertou os lábios. Claramente sabia de algo e não queria falar. Ele segurou a vontade de dar um murro na mesa.

Era um absurdo. O nível de cinismo de seu irmão era grande. Não fazia nada. Tinha um cargo na empresa por causa e somente de seu sobrenome. Arrogante, cínico e abusado. Vivia pelos corredores apenas matando tempo antes de sair correndo atrás de suas muitas mulheres.

E era noivo. Outra coisa que ele ainda não tinha entendido bem. Qual o motivo desse noivado, se ele vivia de farra e festas, gastando o dinheiro que não trabalhava para ganhar. Só podia acreditar que era apenas por causa de sua mãe que exigia  que ambos tivessem uma família.

E nisso ele tinha que concordar. A mãe vinha pegando no pé deles há bastante tempo e de repente Gutto apareceu com essa noiva. E ela era uma das funcionárias da empresa.

* Autora Ninha Cardoso.

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