Mundo de ficçãoIniciar sessãoJá era fim de tarde, quando o telefone tocou pela terceira vez. Eu sabia quem era antes mesmo de atender: era a Lorena, que não sossegava enquanto não me convencesse de alguma coisa. Respirei fundo e atendi:
— Alô? — Leona! Você já decidiu se vai na festa hoje ou não? — ela perguntou logo, toda animada. — Todo mundo já confirmou, a música vai estar ótima, vai ter muita gente que você conhece… vai fazer um bem pra você sair um pouco dessa casa, amiga! E realmente no quintal da minha casa tem uma briga porque um quer fazer a casa no fundo da de vovó,o outro não permite, vontade de sumir. Eu fiquei olhando pela janela, vendo o movimento na rua, e senti uma vontade grande de dizer que não. Mas também sabia que ficar aqui só ia me fazer pensar ainda mais nas coisas tristes. — Ah, Lorena… você sabe que eu não sou muito de festa — respondi, com a voz baixa. — Mas se todo mundo vai, eu apareço por lá um pouco. Fico uma hora, cumprimento a galera, e volto. — Isso aí! — ela comemorou. — Vai ser perfeito! Te espero lá, tá? Depois que desliguei, resolvi ligar para os outros amigos para confirmar. Liguei para o Lucas primeiro: — E aí, vocês vão mesmo hoje à noite? — Claro que vamos, Leona! — ele disse. — Nós já estamos até nos arrumando aqui. A festa promete ser muito boa, não vai se arrepender de ir. Depois falei com o Pedro, que completou: — Vai bombar, Leona! A gente quer muito ver você lá ok que quando você bebê você é animada. Só pensei só Deus que sabe, faço tudo pra não parecer um poste. Fui para o quarto e abri o guarda-roupa devagar. Fiquei olhando as roupas, sem saber direito o que escolher. Queria algo que me deixasse forte, que não mostrasse o quanto eu ando fragilizada. Escolhi uma blusa de cor escura e uma calça que eu gostava, roupas que me protegiam, como se fossem uma armadura. Enquanto eu penteava o cabelo e arrumava tudo, uma ideia não saía da minha cabeça: será que ele vai? Será que o Miguel vai aparecer lá?Cara chato! Só de pensar nele, aquele aperto no peito aumentava. Para mim, ele não era só um rapaz: ele era o meu arqui-inimigo, o maior de todos. Tudo nele me irritava, tudo nele me fazia desconfiar. Eu tinha certeza que ele escondia coisas ruins, que não era a pessoa boa que parecia. E o pior de tudo: se eu não fosse à festa, ia parecer que eu tinha medo dele, são coisas que passam por minha cabeça. E eu não tinha medo de ninguém, muito menos dele. Terminei de me arrumar, calcei o sapato e fui até o espelho. Olhei para o meu reflexo, firme e forte, e falei baixinho para mim mesma: — Vou ir, fico o tempo que aguentar, e volta. Ninguém vai me fazer mal. Ninguém vai me derrubar. Você é linda, quero me convencer que sou.






