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Miguel narrando... capítulo 4

Saí de casa todo animado, sai suviando com a chave no dedo e colocando a carteira no bolso.Bati a porta e fui andando rápido até a casa do Lucas e do Pedro. Quando cheguei na frente, peguei umas pedrinhas pequenas no chão e comecei a jogar bem devagar na janela do quarto deles: toc, toc, toc. Não demorou nem um minuto e a janela abriu de repente, e os dois apareceram todo sorrindo.

— Já vai, já vai! — gritou o Pedro, e em segundos eles já estavam descendo a escada e saindo porta afora correndo pra me encontrar.

O Lucas chegou primeiro e deu um chute de leve na minha perna:

— Nossa, demorou hein! Pensamos que você não ia mais vir!ó mulherzinha deve que estava arrumando esse cabelo seu,falou Lucas.

— Eu nunca deixo vocês na mão — ri, dando um empurrão de leve no ombro dele. — Só arrumei o cabelo, né? Não dá pra ir de qualquer jeito.

Fomos andando devagar pela rua, brincando, dando tapinhas nas costas um do outro, contando as coisas que aconteceram. A gente estava todo contente porque esse ano é o nosso ano: estamos terminando o ensino médio, vamos nos formar, e parece que o mundo todo está aberto pra gente.

— Você lembra daquela vez na festa junina do ano passado? — perguntou o Pedro, rindo muito. — Nós quase caímos no chão todo quando a boiada passou perto!

— E aquela vez que nós fomos pegar fruta no quintal do vizinho e ele veio com a vassoura atrás da gente? — completei eu, e os três começamos a rir alto, dando resenha como só amigos de verdade sabem fazer.

Aí o Lucas olhou pra mim de lado e perguntou, com um sorriso maroto:

— E aí Miguel, como é que tá? Pegou alguma nesse final de semana?

— Peguei sim — respondi, dando de ombros, mas rindo. — Fiquei com a Taís, a menina que estuda na sala ao lado. Ela é legal, gente boa.

— Nossa, você hein! — brincou o Pedro, batendo palmas. — Mas e aquela que você gosta mesmo, hein? A que você vive olhando de longe?

Eu fiquei um pouco mais sério, mas sorri:

— Ah, hoje eu vou tentar chegar mais perto, quem sabe. Vai que dá certo?

Eles fizeram graça, disseram que eu devia ter mais coragem porque sou um medroso, e a gente foi seguindo caminho, brincando, contando vantagem, falando dos planos depois da formatura. O tempo passou tão rápido com a conversa que nem percebemos quando chegamos na rua onde ia ser a festa. Já dava pra ouvir a música tocando, ver a luz forte das lanternas e o movimento de gente na porta.

O Lucas deu um tapa nas minhas costas:

— Olha só, já chegamos!

Eu respirei fundo, olhei para a porta cheia de gente e falei:

— É isso aí, galera. Estamos chegando aqui na festa. Vamos entrar!

Se amanhã ninguém tiver história pra conversar vou resenhar.

__Miguel você tem que dar exemplo nem?__Morrir de rir do Lucas.

Entrei na festa, está lindo! Que maravilha é hoje que eu amanheço o dia na rua, só tenho medo da minha mãe dia seguinte.

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