Mundo de ficçãoIniciar sessãoSaí de casa todo animado, sai suviando com a chave no dedo e colocando a carteira no bolso.Bati a porta e fui andando rápido até a casa do Lucas e do Pedro. Quando cheguei na frente, peguei umas pedrinhas pequenas no chão e comecei a jogar bem devagar na janela do quarto deles: toc, toc, toc. Não demorou nem um minuto e a janela abriu de repente, e os dois apareceram todo sorrindo.
— Já vai, já vai! — gritou o Pedro, e em segundos eles já estavam descendo a escada e saindo porta afora correndo pra me encontrar. O Lucas chegou primeiro e deu um chute de leve na minha perna: — Nossa, demorou hein! Pensamos que você não ia mais vir!ó mulherzinha deve que estava arrumando esse cabelo seu,falou Lucas. — Eu nunca deixo vocês na mão — ri, dando um empurrão de leve no ombro dele. — Só arrumei o cabelo, né? Não dá pra ir de qualquer jeito. Fomos andando devagar pela rua, brincando, dando tapinhas nas costas um do outro, contando as coisas que aconteceram. A gente estava todo contente porque esse ano é o nosso ano: estamos terminando o ensino médio, vamos nos formar, e parece que o mundo todo está aberto pra gente. — Você lembra daquela vez na festa junina do ano passado? — perguntou o Pedro, rindo muito. — Nós quase caímos no chão todo quando a boiada passou perto! — E aquela vez que nós fomos pegar fruta no quintal do vizinho e ele veio com a vassoura atrás da gente? — completei eu, e os três começamos a rir alto, dando resenha como só amigos de verdade sabem fazer. Aí o Lucas olhou pra mim de lado e perguntou, com um sorriso maroto: — E aí Miguel, como é que tá? Pegou alguma nesse final de semana? — Peguei sim — respondi, dando de ombros, mas rindo. — Fiquei com a Taís, a menina que estuda na sala ao lado. Ela é legal, gente boa. — Nossa, você hein! — brincou o Pedro, batendo palmas. — Mas e aquela que você gosta mesmo, hein? A que você vive olhando de longe? Eu fiquei um pouco mais sério, mas sorri: — Ah, hoje eu vou tentar chegar mais perto, quem sabe. Vai que dá certo? Eles fizeram graça, disseram que eu devia ter mais coragem porque sou um medroso, e a gente foi seguindo caminho, brincando, contando vantagem, falando dos planos depois da formatura. O tempo passou tão rápido com a conversa que nem percebemos quando chegamos na rua onde ia ser a festa. Já dava pra ouvir a música tocando, ver a luz forte das lanternas e o movimento de gente na porta. O Lucas deu um tapa nas minhas costas: — Olha só, já chegamos! Eu respirei fundo, olhei para a porta cheia de gente e falei: — É isso aí, galera. Estamos chegando aqui na festa. Vamos entrar! Se amanhã ninguém tiver história pra conversar vou resenhar. __Miguel você tem que dar exemplo nem?__Morrir de rir do Lucas. Entrei na festa, está lindo! Que maravilha é hoje que eu amanheço o dia na rua, só tenho medo da minha mãe dia seguinte.






