Capítulo 62 — Rafa Monti
Eu continuo dirigindo.
Mas minha cabeça fica naquela imagem.
A pessoa sentada sozinha no banco.
No frio.
No sereno.
Parada olhando o lago como se o mundo inteiro tivesse desaparecido ao redor.
Passo uma mão no volante tentando ignorar.
Não é problema meu.
Não deveria ser.
Mas mesmo assim…
O carro diminui sozinho.
Quase involuntariamente.
Olho outra vez pelo retrovisor.
Ela ainda tá lá.
Imóvel.
E alguma coisa dentro de mim simplesmente não consegue ir embora.
Solto o ar