Capítulo 7
Leonardo respirou fundo, reprimiu o desconforto e deitou-se ao lado de Melina.

— A empresa está crescendo cada vez mais, e eu estou cada vez mais ocupado. Nem consigo mais ter tempo para você. Melina... — Sua voz era baixa, suave. — Há algum presente que você queira? Qualquer coisa. Quero te compensar.

Casa, carro, joias, bolsas... Esses são os presentes de que mulheres costumam gostar. Mas Melina nunca havia sentido falta de nada disso. Desde pequena, ela tinha tudo, então não se importava com nada disso. O que ela mais queria era a sinceridade dele. E essa, claramente, já havia sido desperdiçada.

— Hum... — Ela pensou por um instante. — Não quero nada. Mas, quanto ao representante legal da empresa, eu estava pensando em transferir para você no dia do nosso aniversário de casamento. De qualquer forma, envolve assinaturas e assuntos complicados, é incômodo eu continuar como responsável.

— Você quer passar a empresa para o meu nome? — O coração dele deu um salto.

— Sim. — Ela assentiu.

Aos vinte anos, ela havia assumido o risco de ser a representante legal para ajudá-lo, garantindo voluntariamente empréstimos milionários. Aos vinte e cinco, ela queria apenas deixá-lo. Já não se importava com a empresa, nem com todos os bens em nome de Leonardo.

Porque, desde o começo, o que ela queria nunca foi dinheiro. Dinheiro, ela tinha de sobra, o suficiente para gastar nesta vida e na próxima.

Quando seus olhos encontraram os de Leonardo, ele desviou de forma estranhamente culpada, com suas pupilas se contraindo.

— Por que, do nada, você pensou em transferir a empresa para mim? Não tem medo de que eu...

Antes que terminasse a frase, o celular dele tocou de repente.

Melina lançou um olhar para a tela. Como esperado, era Débora.

Leonardo se afastou para atender. Ela não ouviu o que foi dito do outro lado, mas ele imediatamente se levantou, pegou o casaco às pressas e falou, apressado:

— Não se preocupa! Aborto não é coisa pequena, vou te levar para o hospital agora! — Ele caminhou rápido até a porta, só então lembrando de algo, virou-se para Melina. — Melina, a assistente Débora disse que está com dor na barriga e precisa ir ao hospital. Vou levá-la.

— Tudo bem. O mais importante é preservar o bebê, vai lá. — Como sempre, Melina foi compreensiva.

— Ela é mãe solteira, ainda está grávida, com uma criança pequena. Ela tem muitas dificuldades, eu só estou ajudando. — Leonardo engasgou levemente e, por reflexo, tentou explicar.

Dito isso, virou-se para sair.

— Leonardo. — A voz de Melina era leve, mas perfurou suas costas como uma agulha. — Ela engravida uma vez atrás da outra, por que nunca vi o namorado dela?

O coração de Leonardo falhou uma batida. Seus passos congelaram. Ele se virou para encará-la, era incapaz de esconder o pânico nos olhos.

— Melina… isso é assunto pessoal dela. Como chefe, não devo me meter.

— Olha só você, eu só perguntei por perguntar, por que ficou tão nervoso? A assistente Débora é seu braço direito, é natural se preocupar com uma subordinada. Vai lá. — Os lábios de Melina se curvaram num sorriso quase imperceptível, sua voz permanecendo calma.

Como se tivesse sido perdoado, Leonardo saiu apressado.

Melina ficou junto à janela, observando o Porsche preto de Leonardo sair pelo portão com Débora.

Um traço de arrependimento cruzou seu coração. Por que se incomodar? Se ela já tinha decidido ir embora, por que rasgar aquela fina camada de fachada prestes a desmoronar?

No mundo dos adultos, certas coisas deveriam permanecer veladas.

Com os olhos ardendo, ela enterrou o rosto nas cortinas pesadas, os ombros tremendo em silêncio.

Foi nesse momento que o telefone tocou.

— Senhorita, o resultado dos exames das suas amostras saiu, e a situação não é nada boa… — A voz do assistente Daniel soava tensa.

— Daniel, o que quer dizer com isso? — O coração de Melina afundou levemente.

— Os exames indicam intoxicação crônica por arsênico. Arsênico popularmente conhecido como veneno. Os sintomas iniciais são tontura, dor de cabeça, vômito, diarreia, náusea…

— O quê?! — O sangue de Melina congelou.

— Senhorita, sua situação é grave. Que tal eu ir buscá-la agora e levá-la de volta para casa?

Os cílios de Melina tremeram. Ela fechou os olhos, depois os abriu bruscamente, as mãos cerradas ao lado do corpo, os nós dos dedos esbranquiçados.

— Não precisa. Providencie imediatamente um antídoto para mim. Quanto a voltar para casa, não é preciso ter pressa.

Do outro lado da linha, houve alguns segundos de silêncio. Então veio um suspiro leve e a resposta:

— Certo, senhorita.

A ligação foi encerrada, e o rosto de Melina ficou pálido como papel.

Ela começou a se lembrar com cuidado: as tonturas e náuseas causadas pela anemia tinham começado justamente depois que Débora, ao voltar da licença-maternidade de Clara, lhe deu cápsulas de ferro que haviam sobrado e alguns produtos para ajudar na gravidez.

Débora dizia que aquelas cápsulas eram ótimas para anemia e insistia para que Melina, que não conseguia engravidar novamente, as tomasse.

Os pais de Leonardo pressionavam muito por um filho. Ansiosa, Melina acabou se agarrando a qualquer solução e tomou as cápsulas no mesmo dia em que as recebeu.

Depois disso, Débora lhe trazia mais frascos de tempos em tempos.

Assim, intermitentemente, ela tomou aquilo por vários anos.

O olhar de Melina se fixou instantaneamente no frasco de ferro sobre a penteadeira.

Ela se aproximou, pegou o frasco gelado e o girou nas mãos, em seguida, o guardou decisivamente na bolsa.

Quando Daniel trouxe o antídoto, Melina lhe entregou o frasco.

Três dias depois, o resultado confirmou sua suspeita: Débora havia misturado pequenas quantidades de arsênico nas cápsulas.

O forte gosto metálico mascarava perfeitamente o veneno. Consumido a longo prazo, causava exatamente aqueles sintomas.

Se não fosse pelo fato de Melina nunca ter gostado de tomar remédios e, por isso, não ter sido rigorosa, talvez ela já estivesse…

Débora queria matá-la.

Um frio percorreu a espinha de Melina. O medo tardio fez as pontas dos dedos dela gelarem.

Felizmente, ela descobriu a tempo.

O antídoto trazido pelo assistente funcionou bem. As toxinas foram eliminadas rapidamente, e os sintomas desapareceram. Ela se sentia muito mais leve.

Restavam apenas vinte dias.

Tudo em casa que precisava ser jogado fora, enviado ou destruído já estava praticamente resolvido.

Em seguida, era hora de lidar com as pessoas.

Ela não jogou fora o frasco de ferro. Em vez disso, o colocou na mesa de cabeceira do quarto de Débora, trocando-o por outro idêntico.

Depois de terminar tudo, ligou para a melhor amiga, Lorena Ramos.

— Lorena, vamos nos encontrar. Preciso da sua ajuda.

— O quê?! — A voz exagerada veio do outro lado. — Melina, vai chover canivete! Finalmente resolveu largar seu marido precioso e sair com a sua velha amiga esquecida?!

— Vai se ferrar. — Melina riu. — Uma hora, no lugar de sempre. Não falte.

Após desligar, o sorriso ainda permanecia em seus lábios, mas seus olhos arderam levemente.

Ela tinha sido tão tola.

Para ser a esposa perfeita, que girava em torno de Leonardo, recusou inúmeras vezes os convites da amiga, até se tornar uma dona de casa sem vida social, apenas com a companhia do marido.

Mas, de agora em diante, ela nunca mais faria isso.

Seu antigo círculo social, ela iria recuperar aos poucos. Seus hobbies também. Devagar. Sem pressa.

Quando alguém finalmente enxerga a verdade, o que resta depois é apenas se despedir.

Melina pegou a bolsa e saiu de casa, indo até o café onde costumava encontrar Lorena.

Antes mesmo de completar uma hora, Lorena apareceu, cheia de energia. Cabelos curtos castanhos bem penteados, vestido preto de alça, óculos escuros no nariz. Entrou como um furacão e deu um abraço apertado em Melina.

— Fala logo, o que você quer que essa sua amiga maravilhosa faça?

Melina sorriu levemente e se inclinou até o ouvido dela.

— Me ajuda a encontrar uma mulher para seduzir o Leonardo.

— Meu Deus, você tem certeza?! — Assim que Melina terminou de falar, os olhos de Lorena se arregalaram de choque.

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