Mundo de ficçãoIniciar sessãoTheodora Revelt não apenas fugiu de casa, ela fugiu de si mesma. Após um acontecimento traumático e embaraçoso no último ano do ensino médio, Theo não conseguiu encarar seus amigos e seus pais negligentes, que a culparam quando deveriam tê-la acolhido. Muito menos, escolher uma das faculdades nas quais foi aceita. A avó contou histórias sobre uma pequena e pacata cidade litorânea de um país vizinho, onde passou o melhor verão de sua vida e é para lá que ela decide se esconder pelos próximos três meses, ou, até o verão terminar e todos se esquecerem dela e do suposto vídeo comprometedor, onde todos decidiram ignorar o verdadeiro crime cometido por Nicolas Calore, o ex-namorado babaca, que saiu impune. Penza é uma cidadezinha romântica e acolhedora com praias calorosas e pessoas com uma vida muito mais simples do que Theo tem em Florença, na Itália, e simples é tudo o que ela quer agora. Tudo teria sido simples se o aeroporto não tivesse perdido suas malas, o taxista não a tivesse deixado no meio da estrada sob chuva e se o charmoso Lionel Alvord não tivesse aparecido para ajudá-la. Porém, nada nunca é simples com os Revelt e os segredos queimam mais do que o sol.
Ler maisEmma dirigiu-se rapidamente para o seu carro de luxo, activando à sua volta um incrível mecanismo humano de pessoas que tentam acompanhá-la.
O seu assistente trouxe-lhe a pasta, enquanto o motorista lhe abriu rapidamente a porta do carro, fechou-a atrás de si e dirigiu-se para o lugar do condutor. Um empregado preocupado trouxe-lhe um termo de café acabado de fazer e outro entregou-lhe o casaco e alguns documentos impressos de última hora.Emma Fritz, ou "freezer", como lhe chamavam os seus adversários de negócios, muitos empregados e até os seus parceiros de negócios, era uma mulher de negócios intransigente, viúva há quase cinco anos, quando só estava casada há três.O seu marido tinha morrido num trágico e estranho acidente, que ainda estava a ser investigado.Mas ela não o chorou de todo. Karl Fritz tinha sido sócio do pai de Emma, e ela tinha sido dada como um troféu para unir os seus negócios, e não por qualquer tipo de afeto.Para além do facto de nunca se terem amado, ele tinha sido cruel, déspota e abusivo, mau nos negócios, gastador e namoradeiro.Nos primeiros meses de casamento, tinha-se limitado a tomá-la à força na noite de núpcias, apesar da sua virgindade. Seguiram-se as agressões verbais. E depois, quando ele já não queria fingir perante a sociedade, a violência passou a ser física.Quando ele começou a aparecer descaradamente com amantes, ela começou, por sua vez, a retaliar e a fingir que Karl não existia, explorando a sua sexualidade com outros homens, apesar da raiva do marido e dos seus contínuos abusos, embora, devido ao seu desprezo por ela se entregar a outros homens, ele já não a visitasse à noite.Emma encontrava no sexo o prazer que o marido lhe negava, a fuga à realidade de que necessitava e as sensações mais fortes de que o seu corpo necessitava.Nessa manhã, tudo era uma loucura. A empresa estava a desmoronar-se, o pai pressionava-a para que se casasse de novo, como se a primeira vez tivesse funcionado, e ela tinha ideias novas e radicais que tinha a certeza que iriam salvar a empresa, mas que os ridículos sócios dinossauros misóginos e os membros do conselho de administração não levariam a sério, simplesmente porque ela era uma mulher e porque estava ali, diziam eles, apenas por causa da morte do marido. Já para não falar da fama de "devoradora de homens" com que muitas vezes a desacreditavam, como se eles próprios não fossem homens promíscuos e infiéis. Como se não dormissem com ninguém desde que tivesse seios.Ela não era mais luxuriosa do que qualquer um deles.Mas, claro, ela era uma mulher.E isso era imperdoável.Chegou à empresa em tempo recorde, saiu do carro a correr magistralmente de saltos altos, com um equilíbrio invejável, e apanhou o elevador para o seu gabinete.Tinha-se proposto a fazer vários despedimentos, novos contratos, entrevistas e tinha cerca de sete reuniões marcadas para esse dia.Sentou-se em frente ao portátil, num escritório cheio de luxos, mas sóbria, a consultar números, a ler currículos, a tomar pequenos goles do seu café. Preto, sem açúcar.O dia não tinha melhorado. Não tinha feito outra coisa senão lidar com tipos ineptos e entrevistadores que se atiravam a ela na esperança de ganhar um lugar pelos atributos errados. Emma não estava à procura de um homem para dar uma queca, já tinha muitos e sabia onde encontrá-los. Procurava alguém inteligente e com conhecimentos de negócios, alguém que apoiasse as suas ideias e desse garantias ao grémio masculino que a estava a enlouquecer. E que fosse uma lufada de ar fresco para este sítio que, de outra forma, se desmoronaria.Mas, claramente, neste dia ela também não teria tido sucesso. Ela era a chefe absoluta, a herdeira de dois impérios, a mais inteligente do quadro, mas a sua autoridade estava a ser-lhe retirada migalha a migalha, e ela era desprezada.No entanto, se havia uma coisa que Emma não era, era uma mulher fraca.Claro que ela sabia o que lhe chamavam nos corredores: Freezer, a que tinha um coração de gelo. Tanto melhor. Que acreditassem nisso, que a temessem pelo menos se não a quisessem respeitar, que a desprezassem também se quisessem, por ser livre e mais desconfiada do que eles.Por ser a melhor no seu trabalho.Mas desta vez não recuaria, não deixaria que a espezinhassem e humilhassem de novo, e não deixaria de lutar por tudo o que lhe pertencia, não só por direito de nascença ou por ter suportado os abusos de Karl.Pertencia-lhe acima de tudo porque nada existiria se ela não tivesse tomado conta de tudo, se não tivesse trabalhado dia e noite para o proteger.Para proteger todo aquele património.Aqueles ingratos tinham trabalho e dinheiro graças a ela.Mas esqueceram-se. Um dia, não muito longe, lembrar-se-iam, embora fosse demasiado tarde para eles.Quando viu que não valia a pena ficar ali mais tempo e que quase toda a gente tinha ido embora, fechou o portátil e esfregou os olhos, mentalmente exausta.Emma era fisicamente o oposto do que a sua personagem transmitia. Pequena e algo magra devido ao trabalho que a consumia, com um aspeto frágil, olhos azuis claros, quase transparentes, que lhe davam um ar inocente, e cabelo louro, quase sempre preso para trás. Apesar da magreza, conservava as curvas suaves dos seios e das nádegas, o que lhe conferia uma sensualidade atraente.Vestia-se de forma elegante e com jóias nada ostensivas. O seu porte era completamente natural, não precisava de nada extravagante para se exibir.Pega nas suas coisas e prepara-se para sair, embora o cansaço da sua mente não corresponda às necessidades do seu corpo. Sentiu um pouco de calor e foi ver os escritórios.Lá estava ele, a luz acesa no gabinete do lado leste, aquele com o generoso rapaz da contabilidade com quem ela já tinha tido um encontro agradável.Soltou o cabelo e dirigiu-se para lá. Bateu suavemente à porta e ninguém respondeu. Quando a abriu, descobriu que o pobre rapaz tinha adormecido em cima de uns papéis.Ele estava sensível, mas a sua pele também estava a latejar de desejo de carícias, por isso falou para o acordar.-Sr. Mitchel, acorde! Receio que tenha adormecido durante o trabalho.O jovem sobressaltou-se, endireitando-se com um sobressalto.-Desculpe, Sra. Free... Fritz... desculpe... não era minha intenção...Ela inclinou-se sensualmente sobre a secretária à frente dele, dando-lhe uma visão perfeita do seu decote. O jovem lambeu os lábios, recordando o encontro anterior. A sua chefe transformava-se quando as suas necessidades vinham ao de cima. E ela era hábil e satisfatória.-Acha que há alguma coisa que eu possa fazer para compensar a sua irresponsabilidade, Sr. Mitchel?O jovem levantou-se da cadeira, contornou a secretária e pôs-se atrás dela, passando as mãos lentamente pelo seu corpo.-Acho que sim, minha senhora, meu patrão, minha deusa... Vou compensá-la....CaioPuta merda. Essa noite vai ser uma puta merda das grandes. Ela está aqui, porque eu permiti que viesse, porque eu fui fraco e não pude negar. Trazê-la aqui foi um erro e meu irmão vai arrancar a minha cabeça se descobrir.Os últimos dias tem sido horrível entre nós dois, francamente os últimos meses tem sido desesperador. Perdemos nossa irmãzinha e nossa mãe está sempre tão dopada de remédios e drogas que nem sei se se lembra de que ainda tem dois filhos, enquanto apodrece no sofá da casa dela e Lion ainda pensa que o que eu faço é a pior parte das nossas vidas.É apenas diversão. Uma diversão perigosa que agora não estou metido sozinho. Observo pelo canto do olho Brianna de braços cruzados com a bunda encostada no porta malas aberto, falando sem parar sobre nada em específico com Theo, que troca os saltos altos de solado vermelho por um par de tênis brancos com glitter prata. Eles não combinam com ela, porque são de Bri. Fico imagino o quão caro devem ser aqueles saltos, ou qualq
Lion sequer olhou para trás para conferir se eu o acompanhava. Tudo o que fez foi chegar a passos largos e enraivecidos até o loft, pegar a chave da minha mão e bater à porta assim que entramos. Tentei impedi-lo duas vezes no meio do caminho, mas não havia muito o que eu pudesse ter feito com os meus um metro e cinquenta e cinco sobre saltos altos que machucavam meus pés. Ainda machucam, então me apoio no braço do sofá e os tiro, deixando-os no chão e observando o loiro desaparecer pelo mezanino.Ouço a porta do quarto se fechar, um aviso claro de que ele prefere a solidão agora. Suspiro encarando o interior escuro do loft, a escassa luz vem dos postes do lado de fora e da luz no céu que ultrapassa as enormes janelas ao lado da escada e projeta a sombra dos quadradinhos no piso amadeirado. Pego meu celular checando as horas: Dez da noite, mais trinta e quatro ligações e infinitas mensagens lotando minha caixa de entrada e de voz.Bloqueio a tela do aparelho abandonando-o junto com a b
As pessoas não estavam no jardim. Todos haviam corrido para dentro da casa para vasculhar cada cômodo na esperança do suposto passeio de lancha - uma lancha que nem existe de verdade.Paro na entrada da porta dos fundos da casa e Lion quase esbarra em minhas costas, lançando um olhar confuso que pergunta silenciosamente o por quê de eu ter parado se acabei de desafiar Bernardo a me dar um prêmio de verdade caso eu ache a maldita bolinha dourada.— Por que paramos?— Porque não está na casa.— Como assim não está na casa? - O loiro franze a testa e eu dou meia volta ficando de frente para ele e indicando a piscina. — Tudo bem, eu não entendi.— Ele pulo do segundo andar. - Explico revirando os olhos pelo lento raciocínio dele. Os respindos da água da piscina deixaram a camisa branca grudada aqui e ali, translúcida em alguns pontos e preciso me concentrar em qualquer outro detalhe dele para não ser tão óbvia, mesmo desejando muito admirar o abdomem sutilmente marcado. — Se eu fosse esco
Saio do banheiro depois de respirar fundo três vezes e engolir todo o arrependimento de ter aceitado uma carona no meio da estrada, de ter ido para a maldita praia, de ter vindo para essa festa. O único arrependimento que ainda não me consome é o de ter saído de Florença, pelo simples fato de que meu orgulho é maior.A música soa mais alta conforme desço a escada e chego no jardim, mais lotado do que antes - obviamente com mais de trinta pessoas. Bem mais.Corro os olhos pela multidão e não vejo sinal de Lion na mesinha em que estávamos perto da piscina, apesar da mochila e da polaroide estarem sobre ela, para que ninguém decida ocupá-la. Cadê você?— Baixinha! - Bernado me dá um leve susto ao se espremer entre duas pessoas para chegar até mim. Ele segura dois copos nas mãos e um deles está cheio de um líquido vermelho que reconheço como uma imitação ruim do drink que fiz para eles mais cedo. — Achei você! Tome!— Você viu o Lion? - Pergunto ainda procurando o loiro de camisa branca p





Último capítulo