Mundo ficciónIniciar sesiónCalábria, Itália
Desperto com o pouso do jatinho em solo italiano, engulo em seco ao observar a minha nova realidade.
Coloco a mão na janela para observar melhor, o carro está esperando por mim.
Meus olhos encontram os olhos de Luca, ele pega minha bolsa e me entrega.
— Revistou ela? — sondo, intrigada.
— Confio em você, sei que não arranjará mais problemas com seu irmão. — Sorri, divertido.
Bufo ao levantar da cadeira irritada com essa situação sem solução.
Saio do jatinho indo direto para o carro preto blindado com toda segurança e falta de privacidade.
O carro segue o trajeto sendo acompanhado por outro carro com mais soldados. Liam odeia surpresas, obviamente colocou mais soldados para garantir minha segurança ao voltar para casa.
Sicília é uma ilha encantadora e também é a maior do mediterrâneo. Localizada na região sul da Itália, contendo nove principais cidades maravilhosas.
Moro em Palermo, capital da Sicília.
O jatinho pousou na Calábria, a ponta da bota italiana. Há vários meios de ir para Sicília, balsa, navios, mas no meu caso estou indo com o iate da minha família.
O que eu mais gosto de fazer é ver o mar enquanto atravessamos, não tenho como mentir para mim mesma e negar o quanto gosto de Sicília e também da minha cidade, Palermo.
O que torna tudo insuportável são milhares de regras que são impostas. Agora vou pagar pelo meu ato rebelde e sofrerei as consequências.
Meu irmão deve estar ansioso para me ver.
— É bom estar em casa, não? — Luca se aproxima de mim.
Agora com óculos escuros cobrindo seus olhos azuis.
— Estou com raiva de você.
— Consigo ver em seus olhos escuros como névoa. São raros iguais aos... — ele iria falar da minha mãe, mas muda de assunto. — Vários membros estão com saudades de você, principessa. — Sorri ao meu lado.
— Eles estão curiosos para saber o que estava fazendo tão longe daqui. — Encaro-o séria. — Não faço questão nenhuma de lidar com os membros nem com ninguém.
— Melhor modificar seu pensamento, Kiara.
Ignoro-o olhando meu celular que está sem sinal neste momento.
— Vai demorar muito? — pergunto, encarando o mar.
— Quinze minutos até chegarmos.
Luca sai do carro ao meu lado, entramos na mansão da família Bellini. Vovó Bernardita logo vem ao meu encontro colocando suas mãos em cada um dos meus braços.
— Kiara! Você tem noção que deixou todos preocupados? Luca, muito obrigada por trazê-la. — agradece com um grande sorriso para ele.
— Apenas cumprindo ordens, Kiara está entregue, agora vou avisar o Liam.
Ele sai me deixando sozinha com a minha avó.
— Deveria ter convencido Liam que me deixar em Los Angeles era o melhor. Não sou perfeita como a senhora queria que fosse — a desafio.
Ela aperta os olhos azuis cruéis que sempre estiveram presentes na minha vida.
Meu irmão e o meu pai também possuem esse mesmo azul gélido, mas são os olhos que sempre estão me prendendo, tirando minha liberdade e causando dores.
— Sua mãe foi o início da desgraça dessa família! Quem traiu seu pai foi ela, mas ainda posso modificar você para não seguir os mesmos passos, prometi isso para o meu filho — comenta, pegando em meu queixo.
— Voltei para casa por causa do meu irmão. Ele acabou com o começo de liberdade que havia conquistado em Los Angeles, sou a cópia da minha mãe. — Sorrio com escárnio.
— Não será, e Liam agiu na hora certa e impediu que você aparecesse morta ou em situação pior. O sangue que corre tanto em sua veia como em seu irmão é daquela vagabunda, mas isso não impedirá o meu amor e cuidado com ambos — garante, beijando minha testa.
Olho para Luca, deixo a vovó sozinha e percorro o corredor em direção ao escritório.
Estranho não ver meu pai pronto para me pegar pelos cabelos e sondar tudo sobre minha vida antiga e passageira como modelo.
Ao entrar no escritório acabo encontrando apenas meu irmão. Ele tira o cigarro dos lábios.
Em um terno escuro como a gravata. Os cabelos loiros dele são idênticos ao do meu pai. Seus olhos azuis estão em mim. Frios, calculistas.
— Então nossa principessa está de volta.
— Olá, Liam — cumprimento em uma calma forçada.
— Pronta para encarar as consequências? E principalmente ocupar o seu lugar no clã, sem nenhum escorregão dessa vez. Irei garantir, irmãzinha, que você retornará ao seu título nem que seja à força.







