Um Sopro Para a Vida

Um Sopro Para a VidaPT

Nina Serata  Completo
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Resumen
Índice

Insegura. É como venho me sentindo nas últimas semanas. Ainda que meu marido Rafael, tente todas as formas me ajudar, não consigo lhe dizer o que realmente se passa comigo. Não consigo evitar que as vozes em minha cabeça interfiram em minha vida. Chega a ser estranho imaginar que, até algumas semanas, acreditei estar no auge minha felicidade! Para mim, ter um bebê seria o ápice de minha realização como mulher, mas aqui agora entrando no sexto mês de gestação, já não tenho tanta convicção. O medo de falhar insiste em me acompanhar. Ele não me deixa fazer planos. Eu nem ao menos consigo imaginar o rosto do meu bebê! E junto ao medo vem... Atitudes impensadas, atitude que não tem perdão... O que me leva a chegar a apenas uma conclusão. Não tenho mais forças para lutar! Eu já não quero lutar mais. Copyright © Nyna Serata

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21 chapters
0.Prólogo
"Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos." — Victor Hugo   ***   Insegura.É como venho me sentindo nas últimas semanas.Ainda que meu marido Rafael, tente de todas as formas me ajudar, não consigo lhe dizer o que realmente se passa comigo. Não consigo evitar que as vozes em minha cabeça interfiram em minha vida. Chega a ser estranho imaginar que, até algumas semanas, acreditei estar no auge de minha felicidade! Para mim, ter um bebê seria o ápice de minha realização como mulher, mas aqui agora entrando no sexto mês de gestação, já não tenho tanta convicção. O medo de falhar insiste em me acompanhar. Ele não me deixa fazer planos. Eu nem ao menos consigo imaginar o rosto do meu bebê! E junto ao
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1.Rafael
A observo atentamente em frente ao espelho, seus olhos são tão expressivos enquanto olha o próprio reflexo que me levam a perguntar o que se passa em sua mente. Seu olhar passeia vagarosamente sobre seu corpo curvilíneo, sob a camisola fina de cetim, a sua preferida, até pousarem na barriga, onde suas mãos, mesmo um tanto relutantes, acariciam o ventre volumoso, beirando o sétimo mês de gestação. Não consigo entender o comportamento de minha esposa diante a gravidez. Poderia facilmente pôr a culpa na adolescência problemática que ela teve, porém, não vejo no que isso poderia interferir em sua maternidade. Havíamos feito tantos planos para esse momento, que agora vendo – a tão perdida, envolvida em sua bolha protetora, me deixa sem saber o que fazer. Creio que foi por isso que depois de inúmeras tentativas vãs de tentar entendê-la, a aconselhei procurar Sara, que além de psicóloga é uma
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2.Rafael
  O tique taque relógio se torna angustiante conforme os minutos vão passando. Já é oito e meia da noite, o que significa que quase uma hora se passou desde que Cami entrou no banheiro. E eu me direcionei a cama, aguardando que ela saísse de lá, para conversar. Mas agora quase uma hora depois, não posso mais esperar, odeio invadir o seu espaço, mas a preocupação toma conta de mim a cada segundo que passa. E se ela estiver sentindo algo e não me chamou por conta da raiva que pareceu estar sentindo de mim? Meu corpo se arrepia todo de medo só com a suposição.Sigo o mesmo trajeto curto até nosso banheiro, e na madeira da porta, bato enquanto encosto minha cabeça no batente dela, as palavras de minha esposa ainda estão pairadas sobre mim. Eu não entendo o que realmente se passava com minha esposa, por sua expressão tudo o que ela havia pronunciado ia além de uma primeira gr
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3.Rafael
O único barulho do quarto é o bip suave do medidor de pulsação cardíaca ligado a Cami. A expressão serena, e a respiração regulada dela me trazem alívio, mas não posso dizer que essa sensação me livra do medo, do pânico que insiste em estar presente desde que a socorri. Um murmúrio baixo sai por seus lábios, o que me deixa em alerta, arrasto uma poltrona para próximo ao leito de minha esposa, sento-me perto o suficiente para pegar sua mão, onde deposito um beijo demorado. Enquanto velo seu sono, nossos melhores momentos passam como um filme em minha cabeça. Quando olhei para a garota solitária no campus da universidade me bateu a certeza de querê-la em minha vida, clichê eu sei, mas foi isso que aconteceu, e ao passar dos anos cada um de nossos momentos, até mesmo os ruins, confirmava aquela certeza. Então veio o primeiro sim, o primeiro beijo, o primeiro toque.... Eu a amei a cada segundo que pude estar do seu lado, e eu a amei mais um p
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4.Camille
Quando minha infância passa por meus olhos como um filme, não sinto aquela nostalgia boa que a maioria dos adultos sentem, eu simplesmente não consigo me sentir bem quando as lembranças resolvem me fazer uma visita. Estaria mentindo se dissesse que nunca fui feliz, porém foram tão raros os momentos em que a felicidade fez parte da minha vida naquela época, que posso enumerá-los nos dedos. Dos meus pais, infelizmente, só me restou uma mágoa profunda, por nunca terem me dado a vida digna de uma criança, por eles não terem me amado, por estragarem o pouco que eu tinha quando me viam felizes. Mas, apesar de todos os momentos conturbados que enfrentei ainda uma menina, sou grata a Deus por ter trazido Rafael para minha vida, e com ele a esperança de dias melhores para mim. Com o tempo descobri que não ganhei apenas um amigo, namorado e consequentemente um marido, eu havia ganhado um porto seguro. Que não importava o quão ruim estivesse minha v
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5.Camille
Minha vista começa a embaralhar quando tento pela enésima vez manter o foco na tela do computador, um suspiro longo e frustrado foge por entre meus lábios, estou parada olhando para o mesmo lugar a quase uma hora. Há fotos a tratar, entregar e orçamentos a serem feito, mas não consigo me concentrar, não consigo ao menos avaliar as fotos que minha assistente fizera! Pouso minhas mãos sobre a mesa e sobre ela descanso minha cabeça, que continua girando, latejando desde a hora que vim do consultório de Sara. Por mais que uma parte minha quisesse se apegar as palavras dela como um bote salva vidas, algo dentro de mim não permitia, ele não só me acusava, como me convencia de que eu havia sido uma mãe negligente, que só pensou em si mesmo no instante que deixei meus receios vencerem, tomando aqueles comprimidos, esquecendo-se totalmente do ser inofensivo que habitava dentro de mim. Um novo nó
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6.Rafael
Assim que fecho a porta principal de casa, meu olhar acompanha Cami, que depois de jogar sua bolsa no sofá, caminha em direção a cozinha, faço menção de acompanha-la com o propósito de retomar a conversa que iniciamos na clínica, mas meu celular toca interrompendo-me, minha mulher olha para mim brevemente, mas logo volta sua atenção para o que fosse que estivesse fazendo. Apanho meu aparelho celular no bolso da calça, e sorrio por ver que é minha mãe. — Oi mãe, tudo bem? — Indago com um sorriso em minha face, busco os olhos de Cami mais uma vez, eles me fitam, seus lábios curvam-se em um sorriso ameno. — Se está tudo bem? Como tem coragem de me perguntar isso depois de me abandonar? — Tento controlar minha risada por ver que apesar de estar fazendo seu drama rotineiro, minha mãe fala sério, uma risada e ela com certeza m
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7.Rafael
— Cara, você está péssimo. — Gustavo, meu sócio do escritório murmura assim que adentra minha sala, sem bater, por sinal. Desvio minha atenção da tela do computador e arqueio as sobrancelhas. — Invade meu escritório para falar de minha aparência? Sério Gustavo? — Ele ri se jogando todo esparramado na cadeira a minha frente, o observo por um tempo, então bufo sabendo o que provavelmente o levara em minha sala. — O que houve dessa vez? — Pergunto, afrouxando minha gravata, meu amigo ri nervoso então deita a cabeça em minha mesa. — A mulher está louca cara — Diz, se referindo sua mulher, que só aceitou assinar o divórcio deles, se o mesmo lhe pagasse uma quantia absurda de indenização (qual deixaria a conta bancária do meu amigo limpa), por que segundo ela, a parte que pede divorcio se
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8.Camille
Rejeitada. Palavra e sensação que desde muito nova odiei. Com as intermináveis brigas de meus pais, eu me sentia assim corriqueiramente, não podia fazer nada, mas esse fato não me impediam de me por entre eles quando se empurravam, agrediam entre si, ambos gritavam comigo, mas ao invés de me amuar em algum canto, eu permanecia ali, em fogo cruzado, e essas minhas ações me proporcionou uma coleção de roxos – quais eu tentava sempre cobrir com as maquiagens de minha progenitora. Apanhei muito acreditando que um dia poderia fazê-los parar de brigar, fazê-los me amar, porém, conforme os anos foram passando, e minha mente foi amadurecendo, aprendi que nada os faria me amar, me aceitar. Aprendi que ser rejeitado por quem deveria nos acolher, embora por muito tempo pareça, não é nossa culpa, não é minha culpa. Mas esse meu saber não impede que eu me sinta assim agora na fase adulta, e embora c
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9.Rafael
Um sorriso estica meus lábios, com a imagem de meus pais rindo de algo no jardim, mamãe como de costume quando vem para o chalé está com um chapéu exageradamente grande cobrindo sua cabeça do sol, suas mãos habilidosas cortam algumas ervas daninha no meio de suas roseiras. Papai a assiste como se ela fosse o seu entretenimento preferido, vejo amor em seu olhar, muito amor, que chega ser um tanto que contagiante a energia que os dois emana sempre que estão juntos, faço uma busca rápida em minhas lembranças, e eu não consigo lembrar de algum momento ter sido diferente, nem mesmo na época que mamãe ficara debilitada, e eu um jovem festeiro. O companheirismo que os acompanha no decorrer de suas vidas é invejável, com certeza. Me pergunto se Cami e eu teremos algo semelhante em alguma fase de nossas vidas, a um certo tempo pude jurar estar no caminho certo, no caminho de um casamento quão bonito quanto ao dos meus progenitores, porém agora sin
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