Três dias depois, em Belmária.Assim que desembarcou, Pietro pegou um táxi. Com o endereço anotado num papel, foi direto ao lugar onde Lavínia estava.Encontrou ela numa sala de ensaio nos bastidores.Lavínia usava uma saia branca de balé. Seguia as orientações do professor, se erguendo nas pontas dos pés, levantando a perna, girando. Os movimentos eram leves e bonitos, sem perder a força.Sua postura era firme, o pescoço longo, o rosto delicado. Os olhos brilhavam, vivos, cheios de confiança e determinação.Pietro parou e ficou observando, incapaz de desviar o olhar.Por um instante, pareceu ver Lavínia como cinco anos antes, dançando no palco improvisado na delegacia.Só então compreendeu como ela tinha perdido aquele brilho em tão pouco tempo de casamento. Cada ausência dele, cada descaso, contribuíra para isso.Uma dor amarga apertou seu peito e dificultou a respiração.Ele não teve coragem de se aproximar. Tinha medo de atrapalhar.Lavínia dançava entre as outras pessoas com
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